Gabriel Felzenszwalb - InBrands no mundo da moda

Gabriel Felzenszwalb  InBrands no mundo da moda

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Pense numa empresa que investe em empresas de moda e consumo, que tem no portfólio marcas como Ellus, Alexandre Herchcovitch e eventos como SPFW e Fashion Rio.

O que você diria se soubesse que o CEO dessa empresa é um jovem engenheiro de 30 anos, cheio de opinião forte para dar sobre o universo que envolve o mundo fashion? Gabriel Felzenszwalb caiu de para-quedas nesse meio. “Eu era analista de investimentos do fundo Pactual Capital Partners (PCP). A oportunidade surgiu e eu topei”,diz, evidenciando o perfil que o colocou no cargo que tem hoje.

Em entrevista ao Vila Fashion, Gabriel fala mais sobre a InBrands, que tem por objetivo potencializar o crescimento e a lucratividade das marcas investidas, com ganhos de escala e de eficiência nas operações. As empresas ganham sistemas gerenciais profissionais. “O foco principal da empresa que ele comanda é cuidar da retaguarda para que o estilista ou dono da marca possa se concentrar no que mais sabe fazer: moda”.

Com opinião forte, ele fala sobre a moda nacional, diz que ela não é competitiva intencionalmente, e culpa em parte os custos do Brasil. E para ele, moda não é luxo - é comportamento!

Como vê os caminhos da moda brasileira?

Moda é negócio. Grandes marcas brasileiras, que despertam enorme desejo de consumo, ainda se apoiam em modelos de gestão ineficientes, onde as contas só fecham a custa de informalidade. Acreditamos que a moda vai seguir o que aconteceu com outros setores: o governo vai intensificar a fiscalização e a sonegação vai diminuir. Com todos pagando seus impostos, só sobreviverão aqueles que souberem aliar imagem e desejo a uma logística e gestão eficientes.

E qual sua opinião sobre as marcas nacionais no mercado externo?

O potencial existe, mas a moda brasileira não é competitiva ainda internacionalmente. Que grifes têm sucesso no exterior? Os custos no Brasil ainda são muito altos. A carga tributária é altíssima, os juros são altos e a cadeia logística é ineficiente. Adicionalmente, os investimentos necessários para ter presença global são grandes e, fora algumas exceções, não há muitas marcas nacionais preparadas para ter presença relevante fora do Brasil.

A InBrands está voltada para o mercado de alto padrão. Moda é sinônimo de luxo para você? Pode comentar um pouco sobre essa relação?

Estamos voltados para o alto padrão, pois é neste segmento que conseguimos maior valor agregado. Existem outros players, muito mais preparados e muito maiores para competir no segmento de massa. No entanto, moda não é sinônimo de luxo, moda é comportamento! Não vendemos roupa. Permitimos que as pessoas expressem seus estilos individuais pela roupa.

Quais marcas já estão no portfólio da InBrands? E o que a sua empresa faz por elas?

A InBrands é resultado da associação da PCP (Pactual Capital Partners) com o Nelson Alvarenga (fundador da Ellus). Hoje, fazem parte do portfólio da InBrands: Ellus, 2nd Floor, Isabela Capeto, Alexandre Herchcovitch, Grupo Luminosidade (com SPFW e demais produtos) e Fashion Rio. A InBrands está baseada em dois pilares: eficiência e inteligência, isto é, cortar custos e compartilhar melhores práticas. Tudo em nome de ganho de competitividade para atuar no Brasil e no exterior.


Os eventos de desfile são elos fundamentais na cadeia de valor da moda: organizam o calendário e juntam marcas e compradores. Na nossa visão, é estratégico fortalecer esse movimento. Adicionalmente, são negócios financeiramente atrativos.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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