Cajazeiras, as rainhas fashion do filme O Bem Amado

Cajazeiras as rainhas fashion do filme O Bem Amado

Andrea Beltão, Zezé Polessa e Drica Moraes. Foto: divulgação

Ele não podia ter voltado em melhor hora, em pleno ano político. O prefeito da pequena Sucupira agora ganha novos ares, em plena telona. E, "bem amado" como nunca, traz tudo revisitado, renovado, inclusive as fãs Cajazeiras.

Odorico Paraguaçu habita o imaginário das três irmãs que dividem um amor incondicional pelo político. E, desde o dia 23 de julho em circuito nacional, o que tem agradado muito no filme - além da interpretação memorável de Marco Nanini - é o visual genial de Doroteia, Dilcineia e Judiceia. As musas de "Sex and the City" não teriam vez em Sucupira. Lá, quem entende de moda são elas.

A mente brilhante por trás do look das três é a figurinista Claudia Kopke. E foi dela a missão de atualizar o visual delas com relação tanto à peça de Dias Gomes, de 1960, quanto à novela e o seriado da Globo, que foram ao ar nos anos 70 e 80. "Trabalhamos o roteiro recebido, sem nenhuma referência ao seriado", conta. "Nosso filme se passa em 1962, é um figurino de época! Então, posso dizer que a edição moderna é, na verdade, antiga".

Segundo Claudia, o que houve foi uma adequação do figurino ao roteiro do longa "O Bem Amado", onde cada uma já tinha suas características bem específicas: Doroteia, cívica, Dulcineia, romântica e Judiceia (Juju), mais sensual. "Criei então um visual que traduzisse isto em roupas", explicou. O que ela fez, na verdade, foi colocar uma lente de aumento e realmente exagerar o look de cada uma. "A comédia nos permite isto, foi um presente e um divertimento vestir as Cajazeiras!"

No filme, as irmãs nem precisam abrir a boca para mostrar que estão mais peruas, mais exuberantes e menos reprimidas sexualmente. Os vestidos, perucas e acessórios dizem quase tudo. E aqui, nessa entrevista por e-mail (já que Claudia está de férias merecidas e só volta ao Brasil em agosto) é ela quem diz todo o resto.

[galeria]

As três irmãs têm estilos bem diferentes. Pode nos explicar o que pensou na hora de criar o visual de cada uma delas?

Doroteia, [cívica] usa muito azul, amarelo e verde. Suas roupas são mais geométricas e algumas até fazem referência a Brasília. Seus acessórios são rosáceas, como aquelas que vemos nas faixas das misses e dos políticos. Sua silhueta tem uma sensualidade contida em seus tailleurs, muito justos e decotados, enaltecidos por uma bunda e um peito falsos, sugeridos pela atriz Zezé Polessa.

Dulcinéa [Andréa Beltrão] usa estampas florais e flores nos cabelos e nos acessórios, como se elas tivessem escapulido da própria estampa. Sua silhueta fica parada nos anos 50, as saias são rodadas e o decote tomara que caia com seu peito bicudo acrescenta sensualidade à personalidade mais infantil e romântica.

Juju [Drica Moraes] tem a sensualidade à flor da pele e, para traduzir isto, sua silhueta é colada ao corpo, dando a sensação de que a estamos vendo de underwear, mesmo quando está inteiramente vestida. Abusei das estampas de bicho (cobra, onça, tigre) e dos pelos e peles, fazendo a figura da mulher selvagem, descontrolada.

Como é o processo criativo de tantas peças? Diretores e atores interferem?

Partimos de uma grande pesquisa de época, através de livros, revistas e internet. Em seguida, tentamos achar o caminho de cada personagem. Submetemos isto ao diretor de arte e ao diretor do filme. Trocamos ideias e vamos avançando. Paralelamente se iniciam as provas de roupa de silhueta e, aí sim, os atores sugerem coisas, principalmente porque eles, melhor do que ninguém, conhecem o seu próprio corpo e eu respeito muito isto. Gosto que o ator se sinta confiante e abrace seu personagem. O passo seguinte é desenhar todas as roupas e suas formas para, então, finalizar quando os tecidos já estão determinados. Neste caso, contratei um desenhista, Luca Moreira, que praticamente deu vida aos nossos modelitos. Cada roupa saída do desenho e tornada real pelas mãos da nossa modelista, Fátima Félix, merecia gritinhos da turma de figurino e dos atores.

Quem criou os acessórios - perucas, bolsas e sapatos? Qual a importância deles no figurino?

O figurino está diretamente ligado ao departamento de maquiagem que, neste caso, ficou a cargo da Lu de Moraes. Em comum acordo e juntando nossas pesquisas, achamos por bem usar perucas nas atrizes, não só por facilitar o dia a dia da filmagem, como para complementar o look de cada personagem. Estávamos trabalhando uma época de cabelos feitos, armados, anti-naturais. [Para os acessórios], batemos pé em feiras de antiguidades, brechós e, no caso de algumas bolsas, tivemos o auxílio luxuoso de Glorinha Paranaguá, que nos emprestou seu acervo. A maioria dos sapatos foi forrada com tecidos dos vestidos, prática muito em voga na época em que o filme se passa.


É bem difícil conseguir parceria com os estilistas. Geralmente pedimos modelos exclusivos e, na maioria das vezes, eles não têm como parar uma fábrica para nos atender. O Vitor foi muito atencioso e carinhoso.

Por Sabrina Passos (MBPress)

Comente