A carreira da estilista Flavia Viacava

Flavia Viacava

Foto - Divulgação

Bourgeois Bohème. O termo francês criado para definir uma sociedade que não tem medo o amanhã - boêmio - e desfruta da posição confortável - burguesa - inspira as coleções e o nome da marca paulistana Bo.Bô, comandada por Flávia Viacava e Carla Di Palma, amigas de longa data. O termo traduz tudo o que pensam as duas sobre o conceito e estilo das roupas que criam, além de resumir a essência das peças.

Em entrevista ao Vila Fashion, Flávia conta mais sobre o estilo desconstruído da marca que tem dois anos. Para ela, o mercado de moda no Brasil é um grande laboratório, com “novas lojas e estilistas pipocando todos os dias”. Mas, apesar dos talentos, acha que a dificuldade econômica do país exige estrutura para fazer uma marca crescer e criar desejo.

“Só há espaço para os realmente bons, com muito talento, organização e, principalmente, uma administração perfeita. Hoje, a grande oportunidade para uma nova marca é juntar-se aos novos grupos de investidores que estão entrando no Brasil. Foi exatamente o que acabamos de fazer”, conta.

Flávia é estilista há 10 anos. Estudou moda no Brasil e na França e, por lá, chegou a ser estagiária de marcas famosas como a Givenchy e a Ted Lapidus. Aqui, começou na Le Lis Blanc, onde conheceu Carla. “A vontade de criar roupas sempre esteve dentro de mim, e viver disso tornou-se uma conseqüência”. Ela optou pela escola de moda quando cursava Biologia em 1995. “Na época, ficou claro que moda deveria ser minha profissão”.

Por que o termo "bourgeois bohème" tem tanta relação com a Bo.Bô?

Bourgois Bohème não é simplesmente a mistura de burguês com boêmio, é uma pessoa que tem os dois lados totalmente unidos num só. Onde mora, como é sua casa, onde vai jantar, para onde vai viajar, como vai ganhar e gastar seu dinheiro. Como tem muita cultura e adora novidades, sempre quer o melhor e mais diferente. Para roupas, não precisa de grifes famosas para se auto-afirmar: pode por acaso gostar de um bom relógio e, ao mesmo, amar uma jaqueta garimpada numa loja desconhecida.

Como a experiência internacional ajudou na sua carreira?

Sempre tive uma paixão por Paris e pela língua francesa. Então fiz a primeira turma da Esmod, aqui no Brasil, e terminei em Paris. Depois do curso, senti uma grande aceitação dos franceses por estilistas brasileiros e tive várias oportunidades de estágios.Tanto a faculdade, com pessoas do mundo inteiro, quanto às várias culturas diferentes, exigiram de mim o meu melhor. Eu estudava loucamente e precisava levar realmente a sério. Toda essa bagagem me abriu portas quando voltei ao Brasil. Escolhi a Le Lis Blanc porque senti que seria minha nova escola.

Quem é a cliente da Bo.Bô?

É uma mulher com informação e cultura geral, que sabe o que quer, sabe adaptar a nossa roupa para seu estilo próprio, e sai da loja satisfeita por não se sentir uma vítima da moda e, sim, ter tido a oportunidade de criar seu próprio look.

Como define e elabora suas coleções? De onde vem a inspiração?

A inspiração vem sempre da vontade do que queremos vestir no momento, sempre sem o compromisso com tendências de moda. O tema é sempre Bo.Bô. E nossa preocupação é criar looks desconstruídos com qualidade. Mas isso não quer dizer que você não encontre uma calça ou um blazer perfeitamente cortados, com tecidos de alta qualidade. Quando digo desconstruído, me refiro ao look total. A possibilidade de mixar tais produtos, com camisetas lavadas e super casuais ou camisas informais é que forma o estilo desconstruído.

Existe como criar um modelo chique a baixo custo?

Claro que existe. Para quem quer fazer uma boa roupa com bom preço, é preciso ter um bom relacionamento com os fornecedores, estar em contato com todos eles. Sempre surge boa oportunidade quando se é bem informado e bem relacionado.

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Fonte - MBPress

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