Vestir-se com descontração ou formalidade?

Teoricamente vivemos em um mundo cada vez mais descontraído e democrático. Daí que podemos relaxar e nos vestir como nos der na telha. Não. Não é bem assim.

Com todo esse excesso de símbolos é preciso saber escolher, fazer uma triagem mesmo, das mais cuidadosas levando em conta o tipo de imagem que queremos refletir.

Há vários patamares de descontração no que se refere a vestimenta. Um ator em noite de Oscar vestindo smoking e tênis se considera descontraído. Um rapper de periferia com boné ao contrário, tênis, bermudão e camiseta larguíssima idem. O clássico jeans e camiseta branca são descontraídos. E por aí vai.

Já um dos fatores determinantes de mais ou menos formalidade no vestuário masculino é a gravata e o terno, a chamada “roupa social”. Até segunda ordem, o traje faz o monge sim. A questão é, como transitar com naturalidade em um mundo tão plural?

Acredito que o segredo esteja na atitude. Que deve ser a mais natural possível independente do que se veste. E para adquirir essa elegância natural é preciso uma enorme dose de autoconhecimento. Conhecer o próprio estilo e não se obrigar a forçar barras e extrapolar em nome de uma elegância imposta.

Há uma enorme diferença entre estilo e moda. A moda é imposta de fora para dentro. É sazonal e nos deixa igual a todos. O estilo vem de dentro, é a expressão visual do nosso temperamento e fica. Distingue a pessoa na multidão, funciona como uma marca registrada. O ideal é conseguir conciliar as tendências da moda com o nosso estilo e a modo de vida.

Dessa forma estaremos colocando em sintonia o interior com exterior e refletindo uma imagem de harmonia e serenidade, indispensáveis para qualquer pessoa elegante, e tão raras hoje.

O sujeito pode estar vestido de maneira super formal, mas se for descontraído e simpático e ninguém vai reparar se está um pouco mais arrumado que a média em determinado evento. Ou, o contrário, há pessoas que usam sempre um tipo de roupa minimal, básica e esportiva, mas que, devido a uma atitude mais reflexiva e sóbria jamais serão confundidas com tipos destrambelhados.

Sei que estou generalizando mas é delicado aconselhar alguém em uma questão tão pessoal. E acho importante acrescentar que, se nossa aparência reflete nossa alma etc, devemos nos esforçar, não para parecer apenas formais ou descontraídos, luxuosos ou frugais, mas trabalhar para que nos percebamos de forma agradável, limpa e organizada - isso sim, importante na vida e como mensagem visual.

Jornalista, escritora e palestrante, Claudia Matarazzo é autora de vários livros sobre etiqueta e comportamento: “Visual, uma questão pessoal”, “Negócios Negócios - Etiqueta faz parte”, “Amante Elegante - Um Guia de Etiqueta a Dois”, "Casamento sem Frescura", "net.com.classe", "Beleza 10", "Case e Arrase - um guia para seu grande dia", "Gafe não é Pecado" e "Etiqueta sem Frescura"

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