Vencedores do World Cosplay Summit falam sobre a moda cosplay

Moda Cosplay

Cosplay Monica como Shiva do Final Fantasy. Foto Arquivo Pessoal

O desejo de virar o seu herói ou personagem favorito não é de hoje. Mesmo antes da invenção da televisão ou do cinema, tínhamos as histórias em quadrinhos que instigavam essa vontade. Para termos uma ideia, as duas maiores editoras atuais dessas revistinhas coloridas são a Marvel e a DC Comics, ambas fundadas na década de 30. E quem nunca quis ter poderes além do normal? Controlar o tempo, fazer fogo e gelo ou até ler o pensamento das pessoas?

Tudo isso se tornou realidade com a moda Cosplay, abreviada do inglês ‘Costume play’, que em uma tradução livre pode ser ‘Brincar de se vestir igual’. O cosplay teve início em 1939, durante a 1ª World Science Fiction Convention e tem bases sólidas no Brasil e no resto do mundo.

Torneios, aparições, encontros e eventos são movidos pelos adeptos desse mundo, que atualmente visa os animes e mangás japoneses. Os participantes escolhem um personagem com qual se identificam ou gostam mais e se vestem idênticos a eles. Cabelos coloridos, sapatos, cintos, pulseiras e acessórios são incluídos no look. O último campeonato mundial de cosplay foi o World Cosplay Summit, em que o vencedor foi uma dupla de irmãos brasileiros, Monica e Maurício Somenzari, que já haviam ganhado o mesmo concurso alguns anos antes. Conversamos com eles para saber como escolhem, confeccionam e produzem as roupas!

Moda Cosplay

Cosplays Maurício. Foto Arquivo Pessoal

De acordo com Maurício, a afinidade é o principal na escolha de um personagem: "Depois eu penso na adequação ao físico", explica. O planejamento da fantasia é de pelo menos três meses antes: "Precisamos desse tempo para pesquisar todos os materiais e ainda ter tempo hábil para confeccionar o figurino entre outras atividades da minha rotina", explicou o irmão.

Contando sobre os prêmios, eles revelam: "Foram duas experiências totalmente diferentes! Da primeira vez o concurso ainda tomava forma, eram apenas nove países participando e ninguém sabia o que eles queriam exatamente. Agora em 2011, eram 17 países participantes, as performances foram muito mais consistentes e a disputa bem mais acirrada". Maurício nos conta como foi a sensação de levar dois troféus para o Brasil: "Eu me sinto realizado, feliz e orgulhoso de ter colocado o meu país no topo. Através do meu esforço, da minha irmã e do meu pai, assim como dos nossos amigos!"

Sobre a inspiração das roupas eles contam: "Ela vem diretamente do personagem! A vontade de confeccionar aquele figurino ou mesmo de atuar como ele é o que nos move". E as dificuldades também não são poucas, muitas vezes eles precisam alterar algumas características dos animes para a vida real. "A coisa mais difícil é transcrever do papel para a realidade as formas e volumes", conta Maurício. "Há algumas alterações necessárias sim, de uma asa que sai do topo da cabeça a uma personagem que arrasta uma pedra gigante presa pelo brinco, né? Mas sempre tentamos dar um jeito de manter a característica do personagem!", explica o bi-campeão.

"De onde tiramos o dinheiro? Do pote de biscoito dos duendes místicos, no final do arco-íris, claro!", brinca Maurício. E ensina: "Há materiais mais caros sim, como o acrílico que usamos para fazer algumas espadas que são translúcidas, ou um tecido que importei, pois havia o exato bordado de dragões que eu precisava, mas são exceções, e é tudo questão de planejamento e organização".


Os irmãos, que acabaram de voltar do Japão, só esperam cair na rotina novamente e aguardar a próxima escolha de fantasia. Enquanto isso vamos torcendo para que sempre encontremos jovens dispostos e com muita criatividade lutando pelos seus sonhos e vontades. Maurício pode não se transformar no Griffith do mangá BERSERK! (que é o seu personagem favorito), mas com certeza ganhar o primeiro lugar para o Brasil já deve significar bastante!

Por Alessandra Vespa (MBPress)

Comente