Turbulências no mundo fashion

Turbulências no mundo fashion

John Galliano. Foto: reprodução/ Famosidades

Se o mundo vai mesmo acabar em 2012, ninguém pode dizer ao certo. Mas na moda as coisas vão mudar muito. Resta saber se para melhor, ou pior. Peço perdão pelo clichê: realmente é o fim de uma era.

A mudança começou aos poucos, no ano passado, quando McQueen suicidou-se. No mesmo ano, a Hermès anunciou a saída de Jean Paul Gaultier de sua direção criativa. No final, foi a vez de Carine Roitfeld procurar rumos fora da Vogue Francesa. Mal veio 2011 e Galliano envolveu-se em um escândalo que custou seu cargo na Dior.

Então as coisas foram se acelerando: recentemente, o grupo Hermès anunciou a venda de sua participação na marca de Gaultier; Hilary Alexander anunciou sua aposentadoria e, agora, Christophe Decarnin anunciou que deixará a Balmain.

Pessoas que resgataram, renovaram e contribuíram não só com a marca ou veículo para o qual trabalharam, mas também com a nossa visão de moda atual.

O que virá depois? Lagerfeld fora da Chanel? Alber Elbaz da Lanvin? Anna Wintour não mais na Vogue América?

Se a moda já não trazia mais novidades, se apenas reinventava-se e fazia releituras daquilo que algum dia chocou a humanidade, mesmo com contribuições tão incríveis, o que nos espera daqui para a frente, sem tantas dessas mentes responsáveis pelas imagens mais impactantes?

Perdas já foram sofridas em outras épocas. Os grandes criadores (no sentido de trazer algo novo e não de reinventar) já não estão mais entre nós, ou se aposentaram. E, claro, nem todas as saídas foram definitivas - alguns dos citados certamente farão seu trabalho em outro lugar em breve. Mas a sensação de encerramento é inevitável.

Pouco a pouco, mais uma leva de nomes essenciais se esvai. Claro, contamos com outros incríveis, porém a proporção é um pouco desigual.

Por um lado, fica a esperança de que com as mudanças o espaço para novos personagens brilhantes finalmente se abra - e é disso que se trata a moda, de novidades -, mas por outro a preocupação com a estagnação vai crescendo.

Afinal, como ouvi outro dia, para a moda mudar de verdade, vai ser preciso que a humanidade sofra uma mutação genética que dê ao homem um terceiro braço, porque em termos de funcionalidades todas as peças já foram inventadas: calças, blusas, saias, casacos e suas variações.


Eu sou dessas que espera que nesta próxima era, dos tantos bons que ainda mal conhecemos (ou sequer ouvimos falar), estejam outra Chanel, Dior, Saint-Laurent e seus contemporâneos para finalmente trazer a revolução que tanto precisamos. E você, o que acha?

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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