Tendência andrógena

Tendência andrógena

Foto/Divulgação

Oxfords, calças boyfriend, camisas e gravatas. As últimas tendências deixam claro que muitos dos elementos masculinos têm migrado para as araras femininas. Agora esse movimento começa a ser observado também de forma contrária e as mulheres é que vão ter de tomar cuidado com seus namorados assaltando o guarda-roupa. Essa inversão de gêneros na moda é chamada de androgenia - conceito que se refere à mistura de características femininas e masculinas em um único ser - e tem se intensificado ultimamente. Prova disso é o novo modelo de calças masculinas lançadas pela Levi’s. O nome já diz tudo: jeans ex-girlfriend. O modelo se baseia na calça skinny feminina, que é bem justa, confortável e com stretch.

Tanto as marcas nacionais quanto as internacionais estão atentas ao avanço dessa tendência, que para a personal stylist Ana Franco é um reflexo da diminuição das diferenças entre homens e mulheres na sociedade. Mas na hora de aderir à moda andrógina, é preciso tomar cuidado para que o visual não fique nem totalmente feminino, nem masculino. Para isso, Franco explica que a ideia é mesclar peças. "Se uma mulher, por exemplo, vai usar um oxford, que é um sapato com característica masculina, ela pode compor o look vestindo uma saia ou vestido, que já são peças clássicas femininas. Vale também investir nos acessórios mais delicados, enfeites no cabelo, um batom ou esmalte colorido. Assim você pode abusar dessa tendência, sem ficar com uma imagem muito pesada para o dia a dia das ruas", explica a personal stylist.

Na moda cotidiana, a androgenia tem sido notada em peças como o blazer feminino com corte masculino e estrutura nos ombros, calças largas - tanto jeans quanto do tipo alfaiataria - e, para os homens, peças mais justas e com cores suaves típicas do guarda-roupa das mulheres. Franco atenta que uma das fortes marcas da androgenia é a total liberdade e a falta de preconceito. Mas quando migramos para as passarelas e para a alta costura essa tendência pode se tornar forte ao ponto de suscitar algumas polêmicas. Um desses casos foi o ensaio do modelo Baptiste Giabiconi para a revista Purple.

Fotografado pelo designer da Chanel, Karl Lagerfeld, Giabiconi usava nada mais, nada menos que um par de scarpins - um dos modelos mais clássicos de sapatos femininos. Outro caso semelhante ocorreu quando Lady Gaga, sob o pseudônimo de Jo Calderone, posou para um ensaio da Vogue masculina do Japão não só adotando roupas, como também a postura de um homem.


A professora e consultora de moda da Anhembi Morumbi, Valeska Nakad explica que a intenção de ensaios como estes é justamente demonstrar a volta da tendência andrógina na moda. "Aliás, ela nunca deixa de estar presente. Contudo, neste momento está em evidência", pontua. Segundo Nakad, o universo da moda já brinca com essa inversão de papeis há muito tempo. Ela conta que a androgenia é um princípio criativo que surgiu na época de Coco Chanel, durante a década de 1920, e tem se desenvolvido ao longo dos anos. "Chanel rompeu com a rigidez do traje feminino e liberou a mulher dos espartilhos. Imprimiu um estilo de se vestir mais simples, de linhas retas e com tecidos antes utilizados somente no vestuário masculino", explica. Mais tarde, estilistas como Dolce & Gabanna, que colocou a gravata no armário feminino, e Yves Saint-Laurent, que criou o smoking para mulheres, deram consistência a essa moda.

Mas hoje, de acordo com o que a professora e consultora de moda explica, as passarelas e a alta costura têm se dedicado principalmente às produções pautadas na feminilidade das formas e da utilização dos tecidos. Então atualmente, a tendência andrógina pode ser encontrada, para a sorte de nós, consumidoras, nas prateleiras de preços acessíveis da moda prêt-à-porter.

Por Giulia Lanzuolo (MBPress)

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