SPFW - vanguarda nas passarelas

SPFW  vanguarda nas passarelas

Triton e Iódice / fotos Arquivo MBPress

O terceiro dia de desfiles do São Paulo Fashion Week foi dominado pelas grifes jovens. Ou pelo menos para quem curte roupas transadas, nada maduras. Com exceção das marcas Iódice e Huis Clos, mais sóbrias, as demais que subiram na passarela abusaram do apelo vanguarda.

A Iódice foi a primeira do dia, ainda pela manhã, e apostou no preto e no drapeado, tendo os anos 80 como referência. O estilista Waldemar Iódice apostou em camurça, lã super 120 e a seda, com textura martelada. Assimetrias e vestidos-paletós, que já visitara o Fashion Rio, deram ares especiais à moda da marca. Isabeli Fontana foi a estrela do desfile.

A Carlota Joakina iniciou a tarde com modelagens justas e materiais variados, quase divertidos. Os looks em malha apareceram tanto como os tecidos metalizados, com aspecto envernizado. E algumas produções levavam um acessório diferente: luvas de boxe. O uso é referência direta ao pugilismo que inspirou a coleção. Tachas prateadas e bordados também fazem parte do inverno da marca, assim como os plissados e roupas compostas por babados em camadas.

Desfile Carlota Joakina no SPFW

Desfile Carlota Joakina / fotos Arquivo MBPress

Depois da Carlota, foi a vez da 2nd Floor subir às passarelas, já no fim da tarde. Polainas e botas foram destaques do desfile, aparecendo em quase todos os looks. O universo que inspirou a coleção foi o do aviador, com bexigas brancas e fumaça invadindo a passarela. Diferente da Carlota, a moda jovem da 2nd Floor não marca o corpo e valoriza o luxo decadente, com formas arredondadas, cinturas marcadas e sobreposições. As cores, como não poderia deixar de ser, são escuras, com marrons e verdes brincando em estampas abstratas. É lúdico, com frescor jovem.

Desfile 2nd Floor

Desfile 2nd Floor / fotos Arquivo MBPress

Uma banda tocando ao vivo não foi a novidade de Fábia Bercsek. O que chamou a atenção foi vê-la no vocal! Declarando amor à moda e aos jovens, ela apresentou uma coleção despojada, para quem não segue tendências. Uma das modelos, em plena passarela, tirou o salto e seguiu, provando que a mulher que veste Fábia faz o que quer. Entre os modelos da grife, looks de jacquard de poliéster e viscose (que parece couro), vestidinhos florais, cardigãs com shorts de cetim e casacos esportivos da Adidas (para quem ela fez uma linha exclusiva). A origem tricoteira de Fábia é revisitada nas peças com desenhos aplicados sobre tricô de linha grossa.

Desfile Fábia Bercsek

Desfile Fábia Bercsek / fotos Arquivo MBPress

A Huis Clos foi trouxe tecidos sofisticados e o caimento recorrente da marca. Mas dessa vez, mais curtos, com mais decotes e menos mangas, a coleção deu lugar a alças finas e correntes, criando um sexy sofisticado. A coordenação do volume também aparece. Quando a calça é larga, a blusa é sequinha - e vice-versa. As mangas, quando apareciam, eram fofas no ombro e justas no antebraço, dando um aspecto de luva justinha até o cotovelo, assim como já visto no desfile de Hertchcovich. As luvas também marcaram presença, claro, mostrando uma Huis Clos clássica, mas modernizada.

Desfile Huis Clos

Desfile Huis Clos / fotos Arquivo MBPress

A noite acabou com duas marcas jovens e adoradas. Triton e Cavalera fecharam mostrando o porquê são as preferidas de muita gente que adora estilo. Na Triton, que teve como tema a Inglaterra, as peças adotaram silhueta afunilada. O desfile da marca tinha como tema a Inglaterra. E uma rainha revisitada, de curto, chamou a atenção logo no começo do desfile. Além do inusitado, seguido por quimonos, meias-finas e tapeçaria, a moda de rua da Triton também teve espaço, com modelagens modernas, perfumadas com a linguagem das ruas de Londres. A coleção uniu o chique ao streetwear, com muita alfaiataria, seda e veludo.

Desfile Triton

Desfile Triton / fotos Arquivo MBPress

Já a Cavalera fechou o dia bem brasileira, tendo a Festa de Parintins como tema. Caprichoso e Garantido serviram de inspiração e tingiram o inverno da marca com azul e vermelho. O abuso do folclore apareceu em xadrezes, quadriculados, detalhes kitsch e pitadas de bom humor.

Desfile Cavalera

Desfile Cavalera / fotos Arquivo MBPress

Elementos da fauna local e alegorias do espetáculo como onças e penas também viraram estampas, forros e até invadiram sapatos. Rendas maliciosas garantiram o rock do carnaval mais acirrado do país. Na evolução, nota 10 para a Cavalera.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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