Síndrome de Becky Bloom

Outro dia o Vila Fashion te mostrou "consumistas assumidas", algumas pessoas que investem um salário inteiro em um sapato, uma bolsa ou no que for. Eu vejo isso todos os dias. Dá até para dizer que se eu ganhasse um real por cada vez que escuto "vivo comprando roupas, mas nunca tenho o que vestir", não dependeria mais de salário para o resto da vida!

Eu tenho amigas que nem receberam ainda e já estão calculando o que vão adquirir com o dinheiro. Planejamento é muito bom, o problema é que muitas vezes o dinheiro vai embora em ítens supérfluos, que vão ficar encostados no canto do armário - com as etiquetas e tudo!

As roupas servem para participar dos momentos da vida, aumentar a auto-estima, garantir conforto e passar mensagens apropriadas. Mas não são o principal! De que adianta gastar todo o dinheiro em compras e se atolar em dívidas se não vai sobrar dinheiro para viver? Sair, se divertir, etc?

Antes de tudo pense se aquela compra está dentro da sua realidade. Vale a pena comprar aquele vestido de lamê dourado se ele está fora de cogitação para ser usado no trabalho e as pessoas que frequentam as baladas da sua cidade usam calça jeans e blusa de suplex?

Ou comprar aquele salto de 20 centímetros sendo que você trabalha de pé, andando para lá e para cá o dia inteiro? Esse tipo de calçado vai prejudicar a sua saúde e tornar seu trabalho inviável.

E aquele sobretudo de lã ultragrossa forrado com pele que você amou, mas na sua cidade o termômetro nunca marca menos que 35?

Você quer essas coisas porque viu naquela revista de moda ou na mocinha de Hollywood ou porque realmente tem a ver com a sua personalidade e estilo de vida? A moda e a mídia produzem desejos e é bom satisfazê-los de vez em quando, desde que isso não se torne uma rotina prejudicial ao seu bolso e à sua vida.

À saber: fazer compras ou se entupir de chocolates quando se está triste têm o mesmo efeito. Quando o motivo para ficar triste passa, você fica pior ainda porque torrou seu dinheiro (ou as calorias do dia) à toa.

O controle do consumismo é o mesmo de quando se faz dieta: descobrir se você precisa comer porque está com fome e é um alimento que vai suprir isso, ou deseja comer porque está com vontade. O que mais me impressiona é que o melhor lugar para que essas pessoas vão às compras é o último que elas olham: o próprio armário. Minha professora do FIT uma vez disse que, no geral, usamos 20% das roupas que possuímos com frequencia, e encostamos os outros 80%.

Se você tem síndrome de Becky Bloom, ou não têm e está cheia de peças inutilizadas mesmo assim, vamos fazer um combinado? Estipule um prazo de um mês, por exemplo.

Nesse mês, você está proibida de gastar dinheiro com novas peças. A meta é usar todas as roupas do seu armário (as que o clima permitir, claro), preferencialmente as que nunca foram usadas. É hora de mexer naqueles 80%!

Mas não acaba por aí! Precisa usar aqueles 20% de sempre também. Mas inventando combinações novas para elas. Se você sempre usa aquela calça jeans com tachas nos bolsos com aquela camiseta branca básica, esqueça! Pense no que mais pode ser usado com essa calça. Você pode se surpreender!


Se no final do mês você perceber que algumas peças não puderam ser usadas porque não fazem parte da sua personalidade e do seu estilo de vida, e já estão aí no seu armário há alguns meses (até anos), descarte-as. Venda, doe para quem precisa, para algum brechó, para aquela prima... Dizem que roupa parada é energia parada também, então renove-a!

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

Comente