Segundo dia de maratona fashion

O segundo dia começou com o desfile da Iódice no Iguatemi. Como sempre, Valdemar Iódice quis levar sua cliente para um balneário chique. O trabalho minucioso de corte a laser que resultaram numa aparência de renda nos modelos que vieram no primeiro bloco foi bem acertado. Por procurar essa estética mais chique, a cartela de cores foi mais netura, deixando o público a desejar mais que os dois modelos coloridos apresentados. No geral, foi um bom desfile para começar o dia.

Já na Bienal, a Ellus dividiu a passarela fazendo com que o público se deparasse com um grande backstage. A coleção masculina que iniciou o desfile do lado em que eu estava, fez enorme sucesso. Cores cítricas, xadrezes, florais propostos para o público masculinos de forma que não ficassem tão afeminados. Já a feminina, apesar de bem executada, não ficou à mesma altura.

Peças ora soltas, ora com estruturas de corset, ora completamente desconstruídas em materiais mais pesados apareceram pela coleção. Meus favoritos foram os modelos de estampa abstrata e o casaqueto desconstruído em jeans.

A coisa toda começou a engrenar de verdade quando Liana Thomaz veio mostrar como se faz moda praia com sua Água de Coco.

Biquinis modelados com perfeição e saídas de praias loingas e belíssimas eram alternados com modelos mais curtos atrás.

Os detalhes de alças trançadas anteciparam uma necessidade que será reforçada no outono/inverno do ano que vem: a reconexão do homem com o artesanato, com o manual. Liana não sai muito do que agrada seu público, mas sempre faz com que esse "mais do mesmo" surpreenda.

Quando a idéia dos ombros marcados já começa a cansar, Alexandre Herchcovitch traz uma coleção em que eles são o ponto forte e recria o desejo desta proposta que parecia batida. Proposital ou não, a forma como foi feito o seating fazia parecer que a parte debaixo das peças não eram realmente importantes, porque a não ser para quem estava na fila A, ela praticamente não podia ser vista. Sempre aclamado pela crítica, seu desfile agrada até os menos apaixonados pela sua estética. O uso de materiais da melhor qualidade, trabalho consistente e acabamento perfeito garantem seu sucesso.

E o que dizer da Cori? A marca veste uma mulher super chique e forte, porém que não deixa de ser feminina. Excelente trabalho nos drapeados, nas saias em camadas e nos volumes sem exageros. Também mostrou a idéia das saias mais curtas atrás. Exemplo de que feminilidade e romantismo não precisam parecer infantis ou ingenuos.

Direto do fundo do mar, veio a Osklen. Que desfile! Um dos favoritos do dia. Oscar Mestavant é outro que não se prende às tendências, que não abandona sua estética própria por causa de vontades efêmeras.

As peças com camadas estruturadas nas mangas e decotes absorveram toda a minha atenção. Mesmo quando os dois dispensáveis modelos com maxipaetês que se passavam por escamas de peixe apareceram, eu já tinha sido completamente tragada pelo universo proposto pela marca. Muito me agradou também o bloco das redes, o bloco das redes - divisor de opiniões.


Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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