Ronaldo Fraga vira "turista aprendiz"

Ronaldo Fraga

Foto: arquivo MBPress

Com uma delicadeza que só poderia mesmo vir inspirada em Mário de Andrade, Ronaldo Fraga mais uma vez surpreendeu. Foi buscar a elegância na simplicidade do sertão. Transformou a rusticidade da seca em moda verão de muito bom gosto. As peças, apresentadas no último dia da São Paulo Fashion Week, fizeram o público aplaudir o estilista e suas criações de pé. Paulo Borges, que assistia de um cantinho, vestido já em ritmo de Copa do Mundo, soltou um sonoro ‘bravo’ quando Ronaldo veio cumprimentar sua platéia. Merecido.

Tudo isso porque Ronaldo releu a obra "O Turista aprendiz", do autor paulistano e se viu, ele mesmo, como um. A resposta está no trabalho que faz, desde 2005, com cooperativas e grupos de artesãos de todo o país. A coleção apresentada esta noite, segundo o próprio Ronaldo, é o resultado de um projeto desenvolvido junto a um grupo de bordadeiras da cidade de Passira no Agreste Pernambucano.

Ele costurou, estampou e bordou em linho, seda, algodão e jacquard imitando renda. Deu às modelos um brilho inventado, colado no corpo. E as vestiu com delicadeza e leveza, cortes simples, muito branco. O marinho se misturou ao branco ou off-white. O vermelho apareceu apenas uma vez na passarela, na única estampa forte da coleção.

"Meus olhos entram em festa por um Brasil feito à mão. Um país bordado de avessos reveladores. Ponto e linha desenham estórias de sobrevivência, amor e dor, refletindo a alma de um povo gentil, festivo, generoso e lindo. Me embolo de ‘pontos-cheio’, ‘crivos’, ‘matames’, ‘pontos sombra’, ‘renda renascença'. Literalmente por um fio, pontos de um ofício ameaçado de extinção", afirma o estilista.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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