Preparativos SPFW - Simone Nunes

Preparativos SPFW  Simone Nunes

Desfile SPFW Simone Nunes - Verão 2010. Foto/Arquivo MBPress

Quando um desfile acaba, lá estão eles imaginado o que pode entrar nas passarelas daqui a seis meses. Descansar a mente ou então se entregar ao ócio criativo é algo difícil para os estilistas, que sempre estão antenados com as tendências mundiais, principalmente européias.

Para Simone Nunes, que na última edição da SPFW apostou na leveza e roupas com estampas tropicais, tudo ao seu redor serve de inspiração. "Filmes principalmente. Mas como somos carregados de informações o segredo é filtrar o que realmente precisa, ou melhor, sofisticar o filtro". Ainda falta usar muito do que ela tem na cabeça. "Tenho muitas ideias e muitos desfiles ainda para fazer".

Há menos de um mês da principal semana de moda do país, e com feriados importantes como Natal e Ano Novo no meio do caminho, muitos estilistas, assim como Simone, mergulham mais ainda no universo de botões, aviamentos, moldes, tecidos e cartelas de cores. O processo de criação, seja da própria coleção ou da produção de desfile, envolve várias etapas. Em linhas gerais ela acontece assim: depois do desenho no papel, o modelista faz o molde e entrega ao cortador, esse corta o tecido e leva à costureira que faz a peça piloto. A modelo experimenta a roupa e são feitas as correções, depois a peça é levada à modelista.

Mas claro que nesse trajeto muita coisa pode acontecer. E a produção segue outros caminhos. "Nas semanas anteriores, o principal aperto é em relação aos fornecedores sem palavra", revela. Alguns estilistas preferem eles mesmos modelar ou costurar, mas não é o caso de Simone. "Crio o conceito e desenho. A modelagem faço com pessoas que já trabalho há algum tempo, por isso elas conseguem interpretar meu desenho como se eu fizesse e me dar resoluções para o desenho também, não simplificar. A parte da costura é toda terceirizada", explica.

Geralmente, 100 peças vão para os desfiles formando cerca de 30 looks. Para Simone, a exibição das roupas na passarela tem o poder de comunicar a coleção. "Primeiro penso o que quero comunicar naquele momento e as roupas são criadas obedecendo essa linguagem. Os acessórios obedecem o mesmo critério. E as modelos refletem a imagem da marca e do desejo de beleza que o minha consumidora quer ver". Assim como o tema da semana de moda de São Paulo para este ano, que brinca com a ideia da linguagem, Simone acredita que a sua escolha das peças e a formação dos looks precisam ser o suficiente para comunicar o conceito "como um texto bem escrito, com palavras certas".


Sobre o que está por vir na coleção inverno 2010, a estilista adianta pouca coisa. Antes dela entrar na passarela - a data do desfile é 19 da janeiro, terceiro dia de evento - é segredo guardado a sete chaves. Se no inverno passado ela apostou na cultura nerd e no universo grung, com muito xadrez, para a estação mais fria, ela apenas diz que a textura dos materiais é o grande foco, "novas texturas que resultam em novos shapes". É aguardar e conferir!

Por Juliana Lopes

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