Patricinha não! It Girl!

Patricinha não It Girl

Ale Garattoni. Foto: divulgação.

Elas estão sempre na moda - e normalmente ditam moda. São inteligentes, do tipo que influenciam o grupo todo. Gostam de qualidade e artigos de luxo, mas sabem que é preciso trabalhar para conquistar o que querem. Adoram grifes, mas montam um look fashion misturando com bom gosto o que tem no guarda-roupa, não importa a etiqueta. Elas são as “it girls”!

Aqui no Brasil, nomes como Heleninha Bordon, Lalá Rudge, Tamara Gontijo são it girls da cabeça aos pés, na opinião de Ale Garattoni. Ale é uma dessas meninas ‘it’ que transformou a vontade de trabalhar com o que gosta em realidade. Ela é dona do blog itgirls.com.br e, apesar de citar esses nomes conhecidos, acha que a maioria das verdadeiras it girls é anônima (ou quase). “São meninas que inspiram dentro de uma escola, faculdade ou grupo de amigas”, explica.

Quando tinha 11 anos, Ale já adorava o mundo da moda. Sabia de cor o nome das editoras de revistas e já elegia as preferidas. Se formou em administração e acabou perdida profissionalmente por um tempo. Até que caiu no departamento financeiro e de exportações da Isabela Capeto e nunca mais deixou de trabalhar em funções ligadas à moda. Foi subeditora do Glamurama e editora-assistente da RG Vogue - onde chegou a assinar uma coluna sobre as ‘it girls’, claro.

Ale pode ser considerada uma especialista no universo “it”. E explica que essas garotas antenadas têm muito pouco das antigas “patricinhas”. “Eu sou contra conceitos estereotipados. Mas o que posso dizer é que hoje é cafona viver fora da realidade. Entre as ‘it girls’, a maioria trabalha, tem uma história, um objetivo. São meninas bem informadas, que gostam de coisas consideradas fúteis, mas não querem ostentar”, explica. Segundo ela, atualmente, para inspirar um grupo é preciso bem mais do que uma bolsa bacana!

E quem pensa que é preciso ter uma mega conta bancária para ser uma ‘it girl’ está enganado. Ale diz que o universo das marcas famosas está sim ligado ao dessas meninas, mas muito mais do que isso, é importante ser aquela que inspira as outras. “Definir uma ‘it’ como a menina que veste grifes da cabeça aos pés é a forma mais estereotipada - e equivocada - de ver as coisas. Quem tem estilo e carisma vai inspirar outras até mesmo com um look que custe R$ 10!”

E o carisma parece mesmo ser a grande ‘marca’ das “it”. Para Ale, quem não tem essa ‘etiqueta’, pode vestir Chanel e, mesmo assim, não despertar a admiração de ninguém. “Não por acaso o universo das ‘it girls’ tem representantes bilionárias e normais, feias e bonitas, workaholics e estudantes. Não há muitas regras, a única característica presente em todas é o carisma”.

Ale conta que Nova York é a terra das ‘it girls’! Tudo começa com as voguettes (meninas que trabalham na revista Vogue americana), e forma um time de bons exemplos da categoria: Sylvana Soto-Ward, Lauren Santo Domingo, Meredith Melling Burke e Olivia Palermo - eleita pelas leitoras do blog de Ale a segunda maior ‘it’ de todas. Audrey Hepburn, eterna bonequinha de luxo, foi a primeirona.

Segundo essa expert no assunto, as ‘it’ se mantém atualizadas em sites, blogs e revistas do mundo todo. Aqui no Brasil, as meninas compras muito na Daslu, na NK e na Mixed. E quando o assunto é acessório, Chanel, MiuMiu, Prada e Marc Jacobs são as marcas preferidas.

No meio de tanto nome de marca famosa, há a tendência natural de achar que as ‘it’ são fúteis ou só gostam de aparência. Ale assume que falar de bolsas de milhares de dólares e maquiagens caríssimas é sim um pouquinho futilidade, mas acredita que sonhar com esses produtos não faz mal para ninguém - muito pelo contrário. “Sonhar, ver imagens bonitas e desejar ícones eternos é uma válvula de escape - e todo mundo precisa disso! Meu blog fala de todas essas futilidades, que eu prefiro chamar de ‘mulherices’, e a grande maioria das leitoras não tem acesso a muitas das coisas citadas em meus textos. Isso prova que todo mundo gosta de sonhar, gosta de ver o belo”, diz.


Consciente da importância do trabalho que faz, enquanto formadora de opinião, ela diz que tenta passar, nos textos, conhecimento e informação. “É bacana desejar um vestido Lanvin, mas é mais bacana ainda conhecer a história da marca. É bacana querer uma bolsa Chanel, mas é mais bacana ainda saber por que ela foi criada. Ver a moda como futilidade consumista depende dos olhos de cada um! Minha maior satisfação é conseguir falar de maneira positiva - e ser bem compreendida por meus leitores - de um assunto tão polêmico como o luxo!”

Por Sabrina Passos (MBPress)

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