Os altos e baixos da SPFW

Os altos e baixos da SPFW

Look de André Lima coleção inverno 2012 na SPFW. Foto reprodução FFW

A Semana de Moda de São Paulo terminou e ficaram as impressões do que promete ser tendência e do que continua sendo. Como de costume a expectativa sobre alguns estilistas é sempre enorme e alguns, realmente não decepcionaram, como Samuel Cirnansck, R.Rosner e Pedro Lourenço.

Cirnansck desfilou looks dramáticos sensacionais, com direito a olhos de cisne negro e branco, além dos vestidos com recortes, volumes plumas e penas, que lembraram nosso muso Alexander McQueen, grande influência. Pedro Lourenço só precisa continuar sendo ele mesmo que já está perfeito, muitas linhas retas, estampas discretas, elegância e caimento. Ele faz moda para a mulher real, que vai da academia à balada, e quer estar linda.

R. Rosner foi uma grata surpresa, que além de brilho e sensualidade traduzido em vestidos, me fez lembrar a alta-costura do mestre dos trajes de gala, Yves Saint Laurent.

A maior característica da Fashion Week é mostrar o que há de novo e o que pode virar mania. E nem tudo o que se vê na passarela vai sair para as ruas. Que fique claro: nem tem que sair. Os desfiles e a própria Fashion Week existem para propiciar uma viagem, serem fantasias com uma parcela de realidade e não o contrário.

Looks fantásticos, como os de André Lima, combinados com looks para serem usados a qualquer hora, isso é um modelo de coleção e de desfile na dose certa. A moda é uma obra aberta, um espaço dentro de cada um, onde podemos criar o que quisermos.

Os tons cinzentos ficaram tão lindos e necessários quanto aquelas cheias de cor. Nada disso entristece, só transmite uma mensagem, a de que há espaço para tantas, independente da estação.

Os dois exemplos disso foram a Uma, que arrasou com os tons frios, roupas maravilhosamente fáceis de usar e de caimento lindo, além das modelos maduras na passarela, e a Neon com seus deliciosos choques de cor, sempre uma alegria, ainda mais neste inverno. Dessa vez sem estampas.

Os baixos ficam para os "mais do mesmo". O desfile da Cavalera aconteceu na Estação da Luz, perto da cracolândia, num domingão de manhã. A impressão é a de que a grife queria mesmo trazer o desfile para fora do pretenso clima de fantasia da Bienal. Nada mais realista do que um lugar lindo e cheio de história, e perto da "decadence sans elegance" da cracolândia. A criatividade e beleza ficou por conta das lingeries burlescas exibidas por beldades como Madame Sher e seus corsets.

Os corredores da Bienal também não são mais aquele "celeiro de fashionistas" super ousados e chocantes, houve poucas novidades. As produções de looks mais ousados e criativos eram das mesmas pessoas do ano passado, por incrível que pareça. Tive a impressão de que estava tendo um dejavú.


Isso é um olhar entre tantos ângulos e sentimentos despertados depois de adentrar a Bienal, para a Semana de Moda de São Paulo, a mais importante da América Latina. A expectativa da fantasia, e da beleza que está por vir é que fascina. A moda é um mercado fascinante e queremos que ela continue a ser, parte pura e simplesmente fantasia, e parte dela fácil, expressiva e real.

Por Giseli Miliozi

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