O vestuário em obras de arte

Os vestuário em obras de arte

O que antes era apenas um elemento para servir de proteção ao corpo com o passar do tempo se transformou em um importante protagonista. Não há como falar de algumas peças de roupas sem mencionar a história que as envolvem. Um exemplo disso é biquíni, hit de todos os verões. O traje foi inventado pelo estilista francês Louis Réard, que o batizou com esse nome por conta do atol Bikini, no Pacífico, onde os americanos realizaram uma série de testes atômicos.

Antes de ser algo tão comum nas praias, a peça foi alvo de verdadeira polêmica, mas em 1956, ele foi imortalizado pela francesa Brigitte Bardot, depois de usar o modelo xadrez vichy adornado com babadinhos, durante o filme "E Deus Criou a Mulher".

Ao longo do tempo, a roupa também serviu de inspiração para muitos artistas, como mostra a historiadora de arte Cacilda Teixeira da Costa, em seu livro "Roupa de artista — o vestuário na obra de arte" (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e a Edusp). Conforme a historiadora, descrições pictóricas, interpretações e apropriações do vestuário estão presentes nos principais movimentos da história da arte por meio da pintura, escultura, desenho, gravura, performance e outras categorias artísticas.

"Dadas suas relações com o corpo, a identidade, o poder e a sexualidade, tanto a indumentária como adereços e seus desdobramentos são tão instigantes, que poucos mestres, do passado ou contemporâneos, ficaram imunes ao seu extraordinário fascínio", acrescenta a autora.

No decorrer dos séculos, como ela mesma explica, desenvolveram-se técnicas artísticas específicas e um extraordinário virtuosismo na forma de retratar tecidos, texturas, drapeados e outros detalhes, tanto em pintura como na escultura, que variaram em diferentes tempos e circunstâncias.

Cacilda cita como exemplo, Velázquez, conhecido por retratar com riqueza de detalhes as pessoas da corte, sejam elas reis, mulheres ou crianças. O pintor, filho de nobres, viveu em Sevilha no século 16, a cidade mais rica da Espanha na época.

A obra de Cacilda também menciona o realismo descritivo, isso no século 19, e cita como exemplo as obras de Ingres, que dá mesma importância ao rosto, às mãos e ao vestuário. Outro artista destacado pela historiadora é Degas, responsável por quebrar alguns paradigmas e abrir as portas para novas ideias que vieram em seguida - ele deixou de lado a representação e utilizou o próprio vestuário como parte integrante da obra de arte, abrindo perspectivas para as vanguardas que viriam em seguida.

Outro importante passo para a história das vestimentas e das artes aconteceu no século 20, quando a indústria da moda começou a se desenvolver e não só se deu importância à criação, mas também aos formatos de divulgação nos meios de comunicação de massa. Aos poucos, os artistas perderam a sua influência e foram substituídos pelos costureiros, hoje estilistas.

Antes disso, por volta de 1770, surgiram as primeiras publicações de moda, como "La Galerie des Modes". Fora do campo da arte, eles reproduziam as roupas usadas pelos mais elegantes da época e, em seguida, passaram a apresentar modelos e informações sobre as tendências.


A historiadora termina a viagem no tempo destacando como o vestuário se tornou algo importante em todos os campos. "Jovens artistas continuam apropriando-se do vestuário como tema, metáfora ou forma de expressão — fora da moda. Do ângulo da relação com a moda, os estilistas propõem coleções inspiradas nas obras dos artistas e os desfiles são cada vez mais performáticos".

Por Juliana Lopes

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