O relógio biológico fashion

O relógio biológico fashion

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Cada corpo funciona de um jeito, respeitando o relógio biológico que faz com o organismo trabalhe em benefício do seu dono. É ele o responsável pelo ritmo funcional, provoca reações até quanto à luz e as sombras, por exemplo. É esse "relógio" do corpo que sensibiliza e predispõe o organismo emocional e fisicamente, a comportamentos diversos.

A consultora em marketing de moda Renata Miranda, da RM Desenvolvimento, em São Paulo, propôs a discussão desse tema "Biofashion" no 35º Vip - Encontro de Profissionais da Moda. Isso porque, segundo ela, é preciso dar uma nova perspectiva de interpretação ao comportamento do consumidor. "A ideia não é medir a influência e, sim, saber que é um fator que influencia, que modifica percepções e reações e, portanto, configura-se como uma original oportunidade de observação para a indústria e comércio da moda em seu processo de criação", avalia.

Segundo ela, esse segmento pode se aproveitar do relógio biológico humano, flexibilizando o paradigma de que o fator crítico e propulsor da criação de uma nova coleção é a mudança de estações. "O que move o consumidor à compra de uma roupa, calçado ou acessório é, antes de tudo, o desejo ou a necessidade de uma roupa nova", afirma. "Se quem desenvolve e vende produtos tiver conhecimento de como funciona esse organismo, irá desvendar inúmeros produtos que estão faltando para o dia-a-dia do cliente".

Renata afirma que o relógio, ajustado pelos hormônios, repercute nas emoções, na libido, no estado de espírito de cada um e na força vital. "A queda dos hormônios nos dá não somente flacidez física como mental. Nos descolore e o prazer das compras começa a se modificar", afirma. "É preciso estar ciente disso".

O evento em que o tema foi sugerido deixou inquietações e levantou novas possibilidades para a criação de coleções. Entre elas, estar atendo, por exemplo, às oportunidades de vendas para as fases de marcantes mudanças hormonais: as crianças, de até oito anos, os adolescentes, dos 8 aos 14 anos, a geração Y (ou jovens a partir dos 18 anos) e as grávidas. "Essas, com suas angústias e turbilhões hormonais, representam um grande mercado em potencial para a roupa, o calçado e o acessório", exemplifica Renata. Além disso, é preciso observar a menopausa e andropausa. "Uma vez que as pessoas estão mantendo-se jovens por mais tempo, a compra do vestuário é uma busca de resgates de dignidade, de vitalidade e amor próprio".

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Segundo Renata, é preciso ainda criar produtos para toda e qualquer hora do dia do consumidor, rodando junto com seu relógio biológico. "Devemos nos manter no limiar da inovação e, para isso, o único caminho, a única rota, é o viver do consumidor. Qualquer outro processo de desenvolvimento nos manterá engessados aos centros internacionais lançadores de moda, nos mantendo como eternos copistas", critica.


Para reconhecer o próprio relógio biológico e melhorar as decisões, a dica de Renata, é dedicar mais atenção ao corpo, ao seu funcionamento biossocial. "É preciso ouvir o nosso próprio ‘tic-tac’ buscando atender ao nosso ritmo individual, sem ignorá-lo ou forçar o ponteiro para o lado contrário", afirma. "O autoconhecimento oferece a possibilidade de melhorar ‘o uso melhor de nós mesmos’ e, aí, a atitude e as escolhas fluirão automaticamente melhor, sem precisarmos ‘dar corda’".

Por Sabrina Passos (MBPress)

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