O figurino de Jessica Chastain em "Árvore da Vida"

Jessica Chastain em “Árvore da Vida”

Foto/Divulgação

O filme "Árvore da Vida", ganhador da Palma de Ouro em Cannes, se passa na década de 50 e remete o espectador a um clima bucólico. E não é apenas a fotografia do filme que impressiona. Nele, a personagem Mrs. O´Brien, interpretada pela atriz Jessica Chastain, usa e abusa de peças que remetem à época.

Para comentar o figurino, o Vila Mulher conversou com a consultora de moda Bia Kawasazi. "Nos anos 40 e 50 as mulheres eram muito prendadas. As roupas eram de tricô ou de tecidos naturais, como algodão, jeans e linho, todas feitas à mão", afirma. "Essas peças amarrotavam com muita facilidade", ressalta.

O comprimento de saia predominante na época era o longuete, ou seja, na altura do tornozelo. Os decotes - princesa e fechado - valorizavam a mulher que tinha pouco busto. Além disso, as alças dos vestidos eram largas e as cavas bem estreitas. "Outra característica importante é que as roupas precisavam ser confortáveis e permitir os movimentos, já que a mulher dos anos 50 cozinhava, lavava e passava", lembra a consultora de moda.

Ela lembra também que as cinturas eram bem marcadas sempre por um cinto bem fininho da mesma cor da roupa ou da família das cores. "As mulheres não eram magricelas, mas chegavam a usar cintas de compressão para deixar a cintura ainda mais marcada".

Os apliques de bordados também eram predominantes na época, sendo todos feitos a mão. Eles reforçavam a ideia da mulher prendada. "Naquela época era comum o público feminino comprar revistas de tricô e de moldes para fazer as próprias roupas", explica Bia.

Os botões eram numerosos e sempre forrados, tanto é que eles foram usados somente nessa época em que as mulheres tinham tempo. Era mais comum elas passarem horas na máquina de costura do que lendo um jornal, por exemplo. A especialista comenta que esses detalhes encareciam demais a confecção e eram trabalhosos para fazer e para usar".


Bia finaliza lembrando que, na década de 50, as roupas eram fáceis de fazer, porque tinham modelagem simétrica e plana. "As peças eram riscadas no papel, bem mais simples do que a moulagem (uma técnica que trabalha a peça de maneira tridimensional)".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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