O corpo dominante de André Lima

O corpo dominante de André Lima

Foto: arquivo MBPress

Mais uma vez, o gran finale da São Paulo Fashion Week ficou por conta da alta costura de André Lima. E os 21 vestidos apresentados mais uma vez confirmaram porque a apresentação dele é tão aguardada e os convites tão concorridos. Cheio de brilho, forma e glamour, a passarela da SPFWteve um último desfile a sua altura.

Nessa coleção, André resolveu vestir o corpo. Parece óbvio, não? Mas, mais do que esconder a pele nua, o estilista usou a forma feminina como ponto de partida para suas criações. Assim, os tecidos, além de abrigarem o corpo, reinventaram sua anatomia. Volumes nos quadris, peito e ombros redefiniram as curvas assim como cortes, angulações tramas e estampas.

Os modelos, curtos, longos e dúbios, partiram de uma lógica formal (o vestido de festa, para simplificar) para resultar naquilo tudo que a plasticidade do tecido é capaz. Inventando tridimensões nem sempre óbvias, André usa o tecido para dizer o que quer. Suas roupas-projeto ampliam movimentos, em oposição e harmonia com o vaivém do corpo. Ele combina abas com assimetrias e excesso de babados. A tudo isso, soma-se ainda estampas geométricas belíssimas, em branco e preto, florais e coloridas. Resultado: ainda mais forma ao corpo. Os dois pretinhos nada básicos, são um convite à luxúria na alta costura. Um, bem mini, se destaca pelo corte e tecido. O outro, curto mas com calda incrível, impressiona pelo corte e acabamento.

Os vestidos brilhosos, de lantejoulas douradas e prateadas, bem tentaram, mas não conseguiram ofuscar o brilho dos demais. O que mais causou reação na plateia foi um longo, de saia balonê dupla, estampado. Pela dificuldade de andar da modelo, não deve ser lá o vestido de festa mais confortável do planeta. Mas, pelo frisson que causa, é bem provável que valha usá-lo ainda assim.

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Destaque para os lisos verde-limão e coral, duas cores vistas em vários desfiles essa semana, que acaba em grande estilo. Shakira cantou a última música, André veio até o final da passarela, como fazem poucos estilistas, e foi aplaudido de pé. Merecidamente.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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