O charme dos corsets

O charme dos corsets

Revista Elle

Não há como negar que eles remetem ao tempo vitoriano, imperial. Ou que evoquem um fetichismo óbvio, mas super sensual. Os corsets, tão classicamente históricos, são usados desde o século 16. Mas é na modernidade que se reinventam, sob a mão de quem entende da coisa.

Marita de Dirceu é uma engenheira por formação que nunca conseguiu separar a vida do mundo da moda. Para unir o útil ao agradável - ou o talento à paixão - ela começou, lá nos anos 1990, a se especializar na produção de peças que encantam. "O corset exige que se pense o corpo da mulher. A estrutura, mesmo que mole, é fruto de raciocínio lógico", diz engenheira-estilista.

Os corsets (e corselets) dessa mineira já estamparam várias capas de revistas e ensaios de moda. Apenas esse mês, Carolina Dieckmann e Ana Cláudia Michels aparecem usando suas peças, nas revistas "Nova" e "Elle". E mostram que apesar de remeterem muito ao mundo das lingeries, o acessório pode ser usado de uma infinidade de formas. "As minhas peças são fashion e se renovam, conforme a própria moda. São ícones atemporais", diz a estilista. E são feitos de diversos materiais, desde a renda mais delicada até tapeçaria, jeans e couro.

Para você entender melhor, os corsets têm esse nome devido aos clássicos vitorianos, lá dos anos 1800. Já os corselets são do século 20, mais leves e com menos estrutura que os corsets. "Podemos chamar os corselets de corsets contemporâneos", explica Marita. O modelo usado por Ana Cláudia na "Elle" é ainda uma outra variação do corset, o chamado "tight lacing". Ele nada mais é que o corset superapertado, com a intenção (ou não) de modificar o corpo e afinar a cintura.

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É a equipe de Marita quem faz cada um dos corsets e corselets, tudo artesanalmente. O modelo criado por ela tem inspiração histórica e muita pesquisa internacional, mas foi adaptado para o corpo da brasileira. Mesmo assim, quem compra pode pedir uma peça sob medida. "A modelagem vai do 38 ao 44. Mas eu desenvolvi um jeito de tirar medidas. Então as pessoas me passam e eu produzo de maneira personalizada", conta. Dessa maneira, Marita pode vender para todo o Brasil. Ela tem um ateliê, em São Paulo, mas as clientes estão espalhadas pelo país.

Mesmo assim, Marita lamenta por aqui o uso dessas peças não seja tão difundido - e fique mais nas páginas das revistas ou seja associado ao fetichismo. "O nosso clima não é propício e, historicamente, não desenvolvemos o hábito de usar corsets como as europeias, por exemplo. Os corsets antigos, clássicos, não ficaram no Brasil. Mas é preciso mudar essa visão, mostrar que são peças versáteis e podem ser usadas por qualquer mulher". Isso mesmo. Não são apenas as magrinhas que podem usar o corset. "Quem tem formas, consegue modelar o corpo com eles", sugere Marita.

Quem quiser ter uma dessas peças criadas por Marita precisa desembolsar uma boa quantia. O cinturão (aquele menor, que fica apenas abaixo do peito), por exemplo, é a peça mais barata e custa R$ 400. A partir daí o preço aumenta, é claro, e varia conforme o material e a estruturado. As peças não são alugadas.


Marita dá dicas de como usar os corsets e corselets, que para ela representam um acessório todo especial no guarda-roupa de qualquer mulher. Ela mesma tem uma coleção própria enorme e está sempre vestindo um. "Essas peças podem ser usadas sob camisas ou até camisetas, ou com terninhos. A sobreposição, sob vestidos, também é uma opção. Mas eles ficam lindos com calças, desde jeans até pantalonas, e todo tipo de saia. É possível brincar com a peça, que pode sim ser coringa em qualquer estação", pontua. A beleza dos corsets caminha de mão dada com a beleza feminina, marca o tronco da mulher e inspira suspiros. Mesmo além das quatro paredes.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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