Na selva da Animale

Na selva da Animale

Raquel Zimmermann. Foto: arquivo MBPress.

O desfile da Animale foi um dos mais esperados deste sábado. Muito por causa da presença de Raquel Zimmermann, mas também pela ansiedade em saber o que a marca traria para o verão 2010.

E o que Animale trouxe, para tristeza das fãs da marca, não foram as peças lindíssimas que a grife vende. O desfile foi extremamente conceitual. Se conceito dita tendência, só o futuro mesmo vai dizer. No caso da Animale, a ideia foi colocar a mulher em simbiose com a natureza. Para isso, ela abusou de elementos que trouxessem a selva para a passarela. O corpo ficou coberto de uma folhagem-camuflagem e, quando apareceu, insinuou sensualidade, num jogo de esconder, com sobreposições e transparências.

Se a intenção era trazer a floresta para a passarela, nada melhor do que abusar das curvas orgânicas, das formas encontradas por lá. Ai, os volumes fluídos, as peças amplas e o oversize foram valorizados. A cartela de cores também vem da natureza, com tons de verde, cáqui, cinza esverdeado, castanho-folha-seca e preto.

Nos tecidos, tecnologia para trazer mais natureza para o mundo da moda. A marca apostou então nos empapelados, criados a partir de fibras nobres e leves como a seda e o algodão, misturados com resinas especiais. O resultado foi um toque de papel (por isso a cara de dobradura de alguns modelos) e a sonoridade de folhas secas farfalhando.

Esses “papers” permitiram a reconstrução da alfaiataria, bem presente no universo da Animale. O efeito renda-arrastão e os tricôs aramados também foram super valorizados.

Mas o grande fio condutor da coleção foi a forma da folha, presente tanto no recorte das peças quanto nos desenhos dos cintos, bolsas e braceletes.

Raquel foi a primeira a pisar na passarela, saindo de trás de grades. Platinada, ela abriu o desfile com um mini-vestido verde com recortes e telas transparentes. A top foi escalada também para fechar a cena, num vestido preto de gola alta e cintura marcada.

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As botas de cano médio com recortes que lembravam uma meia-arrastão foram as responsáveis pelo único deslize da apresentação. Além de quase todas as modelos parecerem dançar sobre o salto, uma tropeçou e quase caiu. Pelo menos ela colocou um friozinho na barriga de quem assistia ao desfile, monótono por usar o mesmo tipo de padronagem e cor em quase todas as peças. A aposta é de que quando chegarem ao mercado, simplificadas, elas fiquem mais atraentes. É esperar para ver.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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