Mulheres julgam pelos sapatos?

Mulheres julgam pelos sapatos

No mundo da moda, os sapatos sempre estiveram em um patamar de acessórios essenciais e, ao passar dos anos, quando cada vez mais as saias encurtavam, a preocupação com pés bonitos aumentava, tornando os sapatos motivo de desejo no universo feminino.

Uma pesquisa realizada para o jornal inglês "Daily Mail", encomendada pelo site gringo "Gocompare.com", revelou que quase metade das 3 mil entrevistadas julga as outras mulheres pelo que elas estão calçando. Sem contar que a estimativa de gastos com sapatos ao longo de uma vida (contando que uma mulher viva 70 anos) é de 16 mil libras, quase R$ 43 mil.

Parece meio absurdo, mas na opinião do designer de calçados Fábio Marcelo Espíndula esse vício se encaixa perfeitamente no padrão brasileiro de gostos e costumes das mulheres, mas, claro, sem generalizar. Afinal, "nem todas dispõem de um poder aquisitivo que possa proporcionar este suposto ‘valor elevado’", afirma.

Segundo cálculos de Fábio, considerando que uma mulher de 70 anos utilize, em média, 7 pares ao ano, ela terá durante a vida 490 pares. "Os R$ 43 mil divididos por 490 pares, daria uma média de pouco mais de R$ 87,75 por par. É algo perfeitamente aceitável, uma vez que pode até serem reduzidas as quantidades de pares, mas a um custo mais elevado", argumenta o especialista.

Nessas continhas entram todos os modelos, desde o famoso Scarpin, até mesmo os moderninhos Ankle Boots, Peep Toes, Mary Janes e Chanel.

Segundo o designer, a maioria das mulheres entre 22 e 35 anos que trabalham e são solteiras tem esse perfil de compradora assídua de sapatos. Mas isso não é uma regra. A funcionária pública Francisca Alves é casada e é a prova viva de que sapatos não são brincadeira. "Não resisto a um sapato. Se eu gostar muito eu vou levar, pode ter certeza", confessa.

A pesquisa americana também aponta que mulheres têm em média 19 pares de sapatos que não são usados e ficam guardados para alguma ocasião no futuro. Francisca faz parte desse seleto grupo.

A profissional admitiu ter alguns que não utiliza - ou que usou apenas uma vez - na esperança de um evento em especial para estrear. "Tem alguns que eu compro, às vezes por causa de promoção, outras porque gostei muito mesmo, mas nunca cheguei a usar. Eles estão guardados na coleção", brinca.

A paixão pelos pequenos artefatos é tanta que Francisca confessa não resistir a uma comprinha, mesmo estando fora do orçamento. "Dificilmente compro um só. Às vezes levo três de uma vez e divido em quantas vezes eu puder pagar", revela. Isso também consta na pesquisa, que revelou que um terço das entrevistadas não resiste a um novo par mesmo o mimo extrapolando a verba mensal.

Na questão do julgamento, apontada pela pesquisa americana, Fábio acredita que o que chama atenção nas brasileiras são as roupas e não os sapatos. "Acredito que de modo geral as mulheres ainda julgam umas as outras primeiramente pelas roupas, porém essa é uma prática cada vez menor. Uma vez que muitas mulheres já elegeram os calçados como a peça mais importante do vestuário, estando as atenções voltadas ao calçados, esses passam e ser o primeiro critério de julgamento de personalidade", conta.

No caso da administradora Juliana Jordano, ela até repara antes nos sapatos do que na roupa. Mas o motivo é bem diferente do da pesquisa. "Reparo só por reparar mesmo. Costumo ver se o sapato é bonito ou feio", brinca.


Julgando ou não, é inegável que os sapatos fazem parte da feira das vaidades femininas. Seguidos pelas roupas e acessórios. "Já não é de hoje, que muitas mulheres após comprarem seus calçados, saiam à procura da roupa ideal para compor seu visual. A paixão feminina pelos calçados é uma crescente. Muitos estudiosos e outros nem tanto, atribuem isto a um fator psicológico que acaba contribuindo para a aquisição deste objeto de desejo apaixonante para tantas mulheres", encerra Fábio.

Por Tissiane Vicentin (MBPress)

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