Márcia de Carvalho une o melhor do Brasil e da França

Márcia de Carvalho une o melhor do Brasil e da Fra

Foto: divulgação

Delicadeza, leveza e feminilidade. Esses são os três ingredientes que marcam as criações de Márcia de Carvalho, e são, de acordo com ela, bem representados pela renda, que aparece em cada modelo seu. A estilista vive em Paris desde a década de 1980, mas não nega as origens brasileiras nas roupas alegres e coloridas: são vestidos em renda de crochê produzidos com dez fios de cores diferentes, vestidos de noiva, acessórios variados em couro com aplicação de renda, entre outros trabalhos.

Márcia foi para a França ainda durante a juventude, cheia de ideais. "Mudei para Paris com 21 anos porque queria encontrar formas criativas de trabalhar", diz. Hoje, ela tem duas lojas naquela cidade: uma na região dos Barbès e outra no bairro do Marais.

E ali mesmo, na Cidade das Luzes, a estilista teve a chance de desenvolver todo o seu talento. Suas peças unem a sofisticação da renda de Calais, vinda do norte francês, e a cor - que lembra o Brasil, sua terra natal.

Em 2010, ela comemora oito anos da Associação Chaussettes Orphelines (ou, em português, Meias Órfãs). O projeto faz jus ao nome: meias que não têm mais o par são usadas na produção de novas roupas, por meio de patchworks misturados com crochê, tricô e bordados. "A associação nasceu da ideia de reciclar meias e outros têxteis, ensinar técnicas de artesanato têxtil e inserir pessoas socialmente desfavorecidas através desses ateliês", diz Márcia.

E, de fato, existe o lado social nessa ideia. Através da instituição, estágios são oferecidos a estudantes franceses e brasileiros de comunidades carentes em Marechal Deodoro, no estado de Alagoas, e ateliês no Rio de Janeiro com a participação de mais de 40 artesãs brasileiras. No bairro parisiense de Barbès, mulheres carentes participam de uma oficina para o aprendizado de técnicas de artesanato têxtil e costura.

A comemoração do aniversário do projeto contou com um desfile realizado no último dia 10 de fevereiro, na Prefeitura de Paris. A "coleção" exibida foi feita com mais de 3 mil meias recolhidas e que viraram casacos, saias, vestidos e acessórios.

Márcia criou ainda o ateliê "Amazonas". "Annick Parent, a presidente da associação Les Amazones s’exposent me contatou para fazer um ateliê com o desafio de trabalhar drapeados e volumes para permitir o não uso de prótese durante o verão, para o maior conforto das mulheres que removeram um seio". O objetivo é ensinar tais mulheres a reafirmar sua feminilidade.

Tanto sucesso é reflexo de uma trajetória profissional rica. "Fiz Ciências Sociais na PUC São Paulo e depois vim para Paris, procurar uma formação mais ligada à arte. Trabalhei para várias marcas francesas e viajei muito para o Japão, Índia, China e Brasil, sempre trabalhando com moda", conta a estilista.

[galeria]

Márcia se formou em moda pela escola Fleuri Delaporte. Já foi assistente da estilista italiana Popy Moreni. Nos anos 1990, ganhou o prêmio de Jovens Criadores de Tignes. Foi também responsável pela linha de malhas prêt-à-porter da Azzaro, Chloé e Paule Ka.


A inspiração dessa estilista vem de coisas do dia-a-dia, e a motivação justifica a alegria expressa em suas criações. "O que me impulsiona é o bom humor, espontaneidade e otimismo. Faço também uma homenagem à diferença. Adoro misturar o rústico e o refinado, o feminino e o masculino, o básico e o glamour", finaliza Márcia.

Por Priscilla Nery (MBPress)

Comente