Longboarders - garotas esbanjam estilo

Longboarders  garotas esbanjam estilo

Foto: divulgação

Estereótipos estão em todas as partes da sociedade e, felizmente, não faltam mulheres corajosas para quebrá-los. Esse é o caso da "Longboard Girls Crew", uma comunidade que reúne meninas e mulheres do mundo inteiro em torno de uma paixão: o longboard - esporte similar ao skate, mas que usa uma prancha maior, parecida com a de surf.

Ao contrário do que se pensa por aí, elas não usam roupas masculinas, largonas, desleixadas. Não necessariamente. Isso porque, como contou Jacky Madenfrost, fundadora da ‘Longboard Girls Crew’ ao Vila Fashion, não se trata de moças etiquetadas: a LGC é formada por mulheres reais, de diversas idades, profissões e, claro, estilos.

As "skater girls" ficaram mais conhecidas no Brasil quando, no final de 2002, a cantora Avril Lavigne estourou com seu estilo mais menininho ou "boyish", que misturava gravatas, xadrez e outros elementos da moda punk e skater. "Mas ela continuou sendo feminina, certo?", lembrou Jacky. Sim, certíssimo! E, talvez, esse seja o espírito das garotas da LGC.

Num vídeo dirigido pelo também rider Juan Rayos, pode-se observar a variedade de personalidades apenas pelo modo de vestir das garotas: algumas esportivas, outras mais menininhas (uma, inclusive, de vestido).

"Essas são as roupas que usamos normalmente, algumas de nós são mais femininas, algumas gostam de vestidos, outras calças folgadas, algumas, como eu, amam camisetas de bandas de rock. Aparecemos no vídeo exatamente como somos. Não pretendemos ser sex symbols, usando shorts e tops como muitos queriam.", explica. E enfatiza: "Nós somos garotas normais e, portanto, usamos roupas normais, só que calhamos de praticar este esporte, não queremos ser estereotipadas. Se você ver alguma de nós na rua sem nossos longboards, você nunca adivinharia que fazemos parte do time".

Ela mesma tem seu próprio jeito de se vestir. "Não posso dizer que tenho uma inspiração para moda, eu gosto de roupas confortáveis, fáceis de vestir. Sou mais de acessórios, amo óculos de sol, brincos, esse tipo de coisa", diz Jacky.

É comum imaginar que, por causa da prática do longboard, as moças se tornem menos femininas, mas não se engane. "Definitivamente, não somos tomboys [garotas que se vestem de forma masculina], outro preconceito clássico. Continuamos sendo femininas, junto ao esporte que praticamos". Obviamente, não se trata de liberdade apenas no modo de se vestir, mas também de poder praticar um esporte sem ter que sofrer preconceito por isso. "O que você vê é a verdade, garotas sem complexos, fazendo o que amam, que é andar de longboard. Mas poderia ser boxe, futebol, tênis, golfe, isso realmente importa?", questiona Jacky.

Longboarders  garotas esbanjam estilo

Foto: divulgação

Sobre a Longboard Girls Crew

A LGC não é uma organização física. Segundo a descrição de sua página do Facebook, o objetivo é fazer uma comunidade "para garotas que amam andar de longboard ao redor do mundo. Claro que vocês, rapazes, também estão convidados, a exigência é que vocês também as apóiem e amem o seu fluir".

Jacky conta que nada foi planejado - as meninas se conheceram na "La Noche en Blanco", uma espécie de Virada Cultural europeia, que também acontece em Madri. Nos últimos quatro anos, durante esse evento, ciclistas, skatistas e, claro, longboarders, se reuniram para organizar atividades em torno dos esportes. Jacky fez parte da equipe organizadora e percebeu que poucas garotas compareciam. "Ou por falta de informações ou por elas serem muito tímidas para se mostrarem, então o Facebook foi a ferramenta perfeita para manter contato com elas".

"Quando a 'La Noche en Branco' acabou, percebemos como era importante aquilo para todas e que já era hora de existir uma plataforma onde garotas se sentissem apoiadas, confortáveis e admiradas pelo que faziam. Desde então, a LGC se tornou uma comunidade mundial, que permite que mulheres longboarders se juntem, compartilhem dicas, informações, lugares para a prática, fotos, vídeos".

A idade média das riders está em torno dos 20 anos. "Mas temos ótimas com mais de 30. Uma vez que há tal faixa de idade, há garotas que continuam na universidade, como eu, e outras que já trabalham em escritórios de advocacia, departamentos de marketing, auditorias", conta Jacky.

Elas estão presentes na Espanha, Argentina, Chile, Panamá, Equador, Repíblica Dominicana, Costa Rica, Peru, Venezuela, México, Portugal, Inglaterra, França, Rússia, Alemanha, Nova Zelândia, EUA, Canadá, Malasia, Filipinas e, claro, Brasil. Segundo a fundadora da LGC, temos ótimas riders em nossas terras, como Reine Oliveira, Cris Punk, Brunna Separovick, Laura Alli e Larissa Sampaio.

Xô, preconceito!

Embora a cena do longboard na Espanha - país onde surgiu a LGC - seja mais liberal, a fundadora sabe que não é bem assim em outros lugares. "Desde que fizemos a página [no Facebook], algumas meninas comentaram sobre como foram colocadas para baixo e desanimadas em suas cidades, não só por homens, mas também por mulheres. A LGC quer lutar por essas garotas, ajudá-las e derrubar esses preconceitos. Garotas podem praticar longboard e fazer o que quer que seja".


Para aquelas que se animaram, mas ainda estão com o pé atrás, Jacky Madenfrost tem um recado: "Gostaríamos de dizer a todas as meninas brasileiras que não tentaram o longboard ou ter um hobby, experiência ou aventura, faça, não há nada que você não possa fazer. Longboard é um esporte divertido, dá liberdade, aumenta sua confiança, ao mesmo tempo em que você se exercita e se diverte muito. Apenas um conselho: conheça seus limites, saiba até onde você pode chegar e, uma vez lá, ouse um pouco, mas não force. Acredite em si mesma e não deixe que ninguém - homem ou mulher - te desanime!". Ouviram?

Por Ana Paula de Araujo (MBPress)

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