Linda Conde - paixão por sapato

Linda Conde  paixão por sapato

Peep toe Christian Louboutin. Foto: divulgação

Não é de hoje a paixão feminina por calçados: botas, sandálias, sapatos, rasteirinhas, chinelos... Há registros de que eles tenham surgido há muito anos, antes de Cristo. Até a Bíblia faz referência aos calçados usados pelos hebreus em suas peregrinações.

Sendo assim, uma frase usada na introdução do livro "A História do Sapato no Século XX" (Alexa Cultural, 2004) parece definir o que esse item do vestuário humano significa para nós: "O calçado é tão presente, tão passado e tão futuro, que sua história é efetivamente um pouco da nossa história humana".

A autora da obra é ninguém menos que a renomada fotógrafa Linda Conde. Como não poderia deixar de ser, reunir e fotografar tantos pares fez crescer o gosto dela por esses produtos. "Sapato pra mim sempre foi um hobby. Um belo dia resolvi pesquisar sobre eles e fazer o livro, e aí minha paixão aumentou", lembra ela. "Tenho material para fazer cinco livros sobre sapatos, se eu quiser", acrescenta, aos risos, com sotaque carregado. A pesquisa aconteceu durante várias viagens da autora pelo mundo e as imagens foram autorizadas pelos museus e arquivos nacionais e internacionais percorridos por ela.

E tanto trabalho valeu mesmo à pena. O livro conta, em 13 capítulos, como o sapato evoluiu, desde a década de 1910 até a virada do século 20. E, para completar, ainda é recheado com 200 páginas só de fotos de sapatos! Tem modelo para todos os gostos, idades e épocas.

Linda é dinamarquesa, mas vive no Brasil há 30 anos. O motivo que a trouxe ainda moça para nossas terras está com ela até hoje. "Conheci meu marido Armando Conde em Roma, quando estava gravando um filme, e vim para o Brasil para conhecer a família dele e nos casamos aqui". E o novo casal então resolveu ficar na terrinha.

Com 20 anos de carreira como fotógrafa, Linda comemora alguns momentos dessa caminhada, especialmente aqueles passados com amigos queridos que hoje não estão mais entre nós. O lançamento do livro "Mulheres", em 1985, por exemplo, foi um marco na vida profissional da autora.

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Na trajetória dos calçados, fica clara certa preocupação estética mais recentemente. "Se repararmos, desde o começo do século já pensavam nisso. É engraçado, mas isso já acontecia. O tempo foi passando e só deixaram as coisas mais modernas, mas o antigo é tão importante que hoje em dia voltaram a fazer sapatos do século 30", pondera a fotógrafa.


E não era para menos. Afinal, os calçados fazem parte de nossa vida, e hoje expressam inclusive individualidade e estilo. E têm relação com as mais diversas áreas da sociedade moderna. "O esporte precisa da chuteira; o sapato já é uma arte; no folclore, podemos brincar com o sapato; e no fetiche, vemos os sapatos mais altos e bonitos, que levam qualquer homem à loucura", finaliza Linda.

Por Priscilla Nery (MBPress)

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