Li Edelkoort adianta as tendências para o verão 2011

Li Edelkoort

Foto/Divulgação Editora Globo

Antes de estar nas vitrines, uma coleção passa por um longo caminho, às vezes seu início é marcado pelo processo criativo do estilista da marca. Esses se basearam em tendências, lançadas anos antes por consultores. Li Edelkoort é uma das mais conhecidas e considerada a profeta das tendências, além de ser uma das 25 pessoas mais influentes na moda, segundo a revista People. Junto com sua equipe, ela indica quais serão os desejos e necessidades dos consumidores nos chamados books de tendências, usados em todo mundo por várias marcas.

A "previsão" para o verão de 2011 ela revelou em sua visita ao Brasil, em uma palestra no auditório do Ibirapuera, na tarde desta terça-feira, dia 22. Logo de cara, ela deixou claro que o espírito do medo, principalmente por conta dos atentados no início do século, acabou. "As pessoas estão à procura do bem estar e da felicidade". E claro, isso terá reflexo na moda. Na sua opinião, ideias originais são difíceis de serem feitas, pois cada vez mais o mundo está unido, globalizado, entretanto, conforme Li, o contrário poderá ocorrer, ou seja, marcas globais vão se preocupar com as ideias locais.

Para a coleção de verão 2011, Li usou a água como base e criou vários desdobramentos a partir desse elemento vital à vida. Depois disso, cada estilista ou profissional de criação aproveitará uma dessas tendências, das ramificações apresentadas por ela, para elaborar a sua coleção ao seu jeito.

Durante a palestra, a sua viagem começou na nascente do rio e o que acontece a sua volta. Da pesca e das pessoas que lavam suas roupas às margens deles surgem diversas inspirações: desenhos do cursos da água ou mesmo das cascatas, que tem o efeito de algodão. "A leveza se destaca com tecidos muito fluidos. A fluidez é o que estará em alta", destacou. Aliás, o seu look cheio de tecidos leves e claros representou isso. O jeans, mais encorpado, recebe várias lavagens, o que se traduz em fluidez . Os modelos mais largos de jeans, como saruel, ou mesmo o modelo baggy, dos anos 80, também foram citados por Li para explicar a sua relação com o que é fluido.

Li Edelkoort adianta as tendências para o verão 20

Estilo Navy/Desfile Cantão/Verão 2010 - Foto Márcio Madeira

A moda folk e as pessoas do campo também são referências. O resultado se traduz em tecidos com pequenas camadas, entre eles, piquê ou anarruga, ou mesmo com desenhos de casas de abelhas, fio duplos e xadrez.

Ao falar das cascatas, Li as correlaciona com as várias camadas de rendas antigas, saias sobrepostas, sempre com cores mais pálidas. Do silêncio do lago surgem pequenas ondas que se refletem nos pregueados dos tecidos e o azul marinho. "O novo preto", ressaltou, cor também presente no fundo dos oceanos.

A pesquisa de Li chega também chega às piscinas, com os desenhos sofisticados dos hotéis, e o glamour dos anos 50, com listras e o estilo navy. E ainda ao atlântico norte, gelado e profundo. "Uma analogia às camadas de tricôs para se aquecer". Já as redes de pescar ou arames servem de inspiração para as texturas.

Li Edelkoort adianta as tendências para o verão 20

Elementos gregos no desfile da Cia.Marítima (Verão 2010/SPFW). Foto/Arquivo MBPress

Do mar mediterrânio, a consultora lembra a cultura grega, por sinal usada por algumas marcas na última edição do São Paulo Fashion Week. Drapeados, pregas, vestidos soltos, desenhos das estátuas são referências citadas. Várias amarrações e as sandálias estilo gladiador, modelo usado por ela mesma na palestra, também estão no trabalho de Li.

A consultora de tendências lembrou de algo que poderá ser muito forte no Brasil, o arquétipo da sereia, da mulher sensual em busca do homem. Vestidos longos destacam as curvas e são baseados nas caudas das rainhas do mar. O efeito metálico e brilhante das escamas tanto servem para tecidos quanto para joias, ou mesmo remetem aos bordados em madripérolas. O formato de rabos de peixes ou água viva, por exemplo, também podem servir de inspiração para vestidos.

Li Edelkoort adianta as tendências para o verão 20

Sérgio Machado. Foto/Divulgação Editora Globo

Ainda nos oceanos, ela destacou o colorido dos corais de recifes, os olhos dos peixes e suas escamas. O desenho multicolorido das algas e o seu efeito gelatinoso e molhado traduzido em peças também estão em sua pesquisa. "No futuro, as algas serão incorporadas em cosméticos e tecidos. Por que não usar o colorido do peixe palhaço nas cores da maquiagem?", sugere.

A Floresta Tropical apresentada por Li é ressaltada pelo brasileiro Sérgio Machado, que faz de sua equipe, durante a entrevista ao Vila Mulher. "É algo muito próximo dos brasileiros que merece estar nas coleções daqui. Pássaros, plumas, flores, desenhos botânicos, tudo que é bastante colorido e alegre".


Conforme o designer, que esteve ao lado de Li durante a rápida visita ao Brasil, a consultora comprovou o entusiasmo brasileiro. "Preferi não levá-la à Daslu. Procuramos algo que tivesse mais a cara da moda brasileira. Por isso fomos visitar a Adriana Barra. A Li achou tudo muito colorido e divertido, uma graça! Também adorou os materiais do Alexandre Herchcovitch e as peças mais refinadas do Lino Linaventura. E sem dúvida, ficou impressionada com a alegria das pessoas, alegria essa tão destacada na sua pesquisa", finaliza.

Por Juliana Lopes

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