Jeans que transcende a moda

Jeans que transcende a moda

Divulgação

Se tecido fizesse aniversário, o jeans teria mais de 150 anos. E mesmo com essa idade avançada, se mantém jovem e cobiçado em todo guarda-roupa. Se ele fosse politizado, certamente seria um revolucionário. Se fosse um ritmo, só poderia ser o rock’n roll. Ele representa valores da cultura estética e se expressa como nenhum outro tecido.

Partindo de tudo isso, a jornalista e publicitária Lu Catoria escreveu o livro "Moda Jeans, Fantasia Estética sem Preconceito" (Ideias e Letras, 2009). A obra mostra que a dinâmica do jeans está presente em cada indivíduo, construindo sua trajetória de sucesso no mundo fashion. Segundo ela, o mercado elabora, a mídia divulga e o consumidor se envolve nas fantasias estéticas, sem preconceito. O mesmo livro analisa os valores da cultura contemporânea e da linguagem do jeans - o que ele expressa. "Eu mostro pesquisas de comportamento e como esses valores são trabalhados pela comunicação e pelo marketing estimulando a carga emocional que envolve o consumo", conta.

Lu é autora também do livro "Jeans, a roupa que transcende a moda" (Ideias e Letras, 2006), colaborou em obras como "Plugados na Moda" e "46 Livros de Moda" e é verbete em "O Brasil na Moda", de Paulo Borges e no "Dicionário da Moda", de Marco Sabino. Em entrevista ao Vila Fashion, ela fala mais sobre o jeans, explica porque esse tecido democrático e globalizado é tão importante para o mundo da moda e ainda comenta as nossas marcas de sucesso. "O jeans é um produto que, apesar de ter mais de 150 anos, traz o signo jovem sem limite de idade, sexo ou classe social. Acredito que por isso ele se tornou um ícone importante da moda".

O uso jeans tem carga emocional, comportamental?

Todo produto de moda tem uma carga emocional, pois para ser moda, tem que ser desejado. E o jeans não poderia ser diferente. Mesmo ele sendo consumido por pessoas que vão utilizá-lo para o dia-a-dia de trabalho, ele será comprado por ser resistente, descontraído e por ser um produto que todos usam. Ou seja, mesmo sem ter a pretensão de comprar uma peça de moda, o consumidor tem, no jeans, uma identidade mimética (mesmo sem ter noção, ele está copiando o que outros usam). Já, quando entra o fator moda, a compra é a realização de um desejo, e por isso, totalmente emocional - e o modelo da peça seguirá o que o seu grupo social está usando. Por isso, o jeans é também um retrato do comportamento dos grupos sociais.

Jeans que transcende a moda

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O que você quis dizer com o título ‘fantasia estética sem preconceito’? O jeans pode ser alvo de preconceito?

O título que usei foi para explicar que quando vestimos "moda", estamos criando no nosso corpo, uma fantasia estética - que é uma imagem construída. E o "sem preconceito" é exatamente a liberdade que o jeans permite nas construções dos visuais.

Você acha que o jeans realmente transcende a moda?

Não só a moda, como o sexo, a idade, as classes sociais, a cultura - isso sem perder a função de cobrir o corpo.

Quais as marcas de jeans brasileiras você destaca, e por quê?

Hoje temos no Brasil algumas grifes importantes identificadas como segmento jeanswear. São elas Ellus, M. Officer, Forum, Gang, Patogê, Equatore. E elas não vendem só jeans. Mas, o mais importante é destacar que, comercialmente falando, em cada loja 'de moda' existe pelo menos um produto em jeans, totalmente desenvolvido para o consumidor daquela marca - com modelagens especiais e beneficiamentos.

Nosso jeans faz sucesso fora do Brasil? Ele é apenas exportado bruto (denim) ou também tem espaço como produto fashion?

A indústria têxtil nacional - com empresas como Vicunha, Santista, Ferreira Guimarães - tem participação em feiras internacionais e vendem o denim. Mas já temos algumas lojas de grife como Osklen (no Japão, Estados Unidos e Itália) e Alexandre Herchcovitch (na China, Alemanha, Itália e Inglaterra), com o jeans em suas coleções. Outras marcas, como a Gang, mantêm venda internacional depois de a mídia divulgar suas peças em personalidades como Paris Hilton, Britney Spears, Christina Aguilera.

Para os amantes do jeans, que peças não podem faltar no guarda-roupa e como elas podem ser combinadas?

O jeans aceita qualquer produção: camisetas, camisas, sobreposição de casacos, echarpes. Para os pés valem tênis, scarpins, sandálias ou botas. A composição do visual vai depender de como a pessoa quer ser vista no seu grupo, naquele momento social. Ela pode estar descontraída com shortinho jeans+top+sandália havaiana, ou calça boyfriend descorada+camiseta+tênis, ou ainda calça índigo escura+camisa social+sandália alta. O que importa, principalmente para os amantes do jeans, é vestir com conforto, buscando o que há de novo - tanto em termos de lavagens, como de modelos.


Vale jeans em qualquer ocasião, desde que bem misturado ou produzido?

Hoje não existem muitas restrições ao uso do jeans. Até os anos 70, era proibido o uso de em colégios, escritórios e cerimônias (até em batizados). As restrições, hoje, são mais por conta de cada pessoa sentir que pode abusar da informalidade do jeans em ocasiões sociais.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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