Irreverência e obras-primas fecham a 32 ª edição da SPFW

Irreverência e obrasprimas fecham a 32 ª edição da

Neon. Foto: Agnews

Mais uma vez, André Lima fechou com chave de ouro uma edição da São Paulo Fashion Week. O estilista sabe como ninguém transformar peças de roupas em verdadeiras joais. Não só ele, Neon, Fernanda Yamamoto, Alexandre Herchcovitch com sua moda masculina e Amapô mostraram na passarela o que esperam para a próxima estação.

"Muita gente assiste a um desfile esperando que o estilista traga o look pronto de bandeja, mas não é bem assim: o grande lance é usar a criação, adaptando-a para o seu dia a dia", explica a stylist Márcia Jorge. A consultora de moda te ensina o que aproveitar de melhor de cada desfile e como adaptar ao seu estilo:

NEON

Cores vibrantes em looks lisos e estampados são a cara da Neon, que propõe um inverno bem leve e colorido. Para quem nunca arriscou criar para si um visual em color block, tendência-paixão do último verão, tem a chance, ao assistir esse desfile, de aprender como coordenar belas cores em um look e arrasar. Gostaria de dar uma atenção especial às meias-calças coloridas usadas no desfile: aposta super válida para o inverno que permite que, sem gastar muito, criem-se combinações incríveis e novos jeitos de ousar com as peças que já estavam esquecidinhas no guarda-roupa. Estampas, a cara do Dudu, não poderiam ficar de fora: lindas, super alegres, dessa vez com inspirações étnicas em combinações de cores que foram muito felizes.

FERNANDA YAMAMOTO

Fernanda apresentou um belo trabalho. Looks com um corte bem sequinho, tecidos mais estruturados em um jogo de cores, recortes e estampas que deram o interessantíssimo resultado visual de criar formas e volumes ao corpo. Achei extraordinária a camisa que logo abriu o desfile, com estampa de tapeçaria que, apenas mudando a cor da estampa, deu a ilusão de se estar usando um bustiê sobre a peça, assim como sua versão do xadrez e do listrado. Os bordados de canutilhos também deram um toque todo especial aos looks. Digno.

ALEXANDRE HERCHCOVITCH (Masculino)

Baseando-se em trajes usados pelos judeus ortodoxos, Alexandre apresentou uma coleção masculina de altíssimo nível. A riqueza de elementos da temática escolhida foi surpreendente, porém, mais surpreendente ainda foi como ele soube criar em cima do tema, uma versão bem própria de sua vivência subjetiva, mantendo-se absolutamente fiel ao estilo da grife. Vale a pena ficar de olho nos jaquetões de abotoamento duplo que prometem voltar com tudo ao traje social masculino. As peças em nylon e as bomber jackets apresentadas também são uma grande promessa para nosso inverno. Arrebentou.

AMAPÔ

A grife apresentou um desfile gracioso marcado por looks-estrutura vazados para elas e silhueta super slim em looks monocromáticos para eles. Tudo em uma pegada bem marcada pela irreverência já própria da marca. Brilhos, transparências, belas estampas. Encantei-me pelos bodies usados pelas meninas que permitem sim que sejam criados looks para a vida real. Pense em jogar um vestido ou camisa mais soltos sobre eles. Até mesmo um belíssimo casaco de lã. Muita gente assiste a um desfile esperando que o estilista traga o look pronto de bandeja, mas não é bem assim: o grande lance é usar a criação, adaptando-a para o seu dia a dia.


ANDRÉ LIMA

A riqueza do trabalho de André Lima é o reflexo de sua riqueza interior. Coloridos, brocados, metalizados, estampas em silhuetas ora volumosas, ora sequinhas. Uma diversidade de mulheres. Nada menos do que esplendoroso. Vale ver e rever, apreciar cada look em detalhes. Os cintos inpirados nos Obi japoneses, a mistura de cores e estampas feitas com maestria, os volumes bem trabalhados nas mangas, nas saias, os recortes. Qualquer inspiração vira ouro em suas mãos. Fechou o evento, a última imagem que ficou em nossas mentes não poderia ter sido mais especial.

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