Inspiração paulistana na passarela

Inspiração paulistana na passarela

Foto: arquivo MBPress

Pela primeira vez nas passarelas da São Paulo Fashion Week, Fernanda Yamamoto tinha uma missão importante. Mostrar a que veio, antes de André Lima e depois de todos os outros 30 nomes que vieram antes dela, nessa semana de moda. A coleção não arriscou ousar, mas também não errou.

A inspiração de Fernanda foi uma foto aérea da caótica e cinza cidade de São Paulo. Desse olhar de cima, ela tirou cores (além do óbvio) e produziu estampas geométricas, que vistas bem de longe, poderiam sim ser os quarteirões da capital. Dos desenhos dos prédios às texturas das calçadas, tudo foi retratado. E o crescimento não planejado da cidade também. Nas peças era possível ver pouca simetria, muitas pontas e efeitos desfocados. Uma única estampa foi trabalhada em toda coleção. É a tal foto área, reproduzida em gaze de seda, bem transparente, numa espécie de aquarela.

Fernanda apostou em materiais inovadores, manipulados artesanalmente. Usou fibras naturais como seda, algodão e crepe, além da viscose de bambu, usado em peças mais estruturadas, de alfaiataria. A gaze de seda, usada em quase todos os modelos - quase repetitivo - foi modificado por técnicas de bordado, lixamento e feltragem. Essa última nada mais é que a inserção de fios de lã na fibra da gaze por meio de fricção e água quente. Tudo feito no ateliê da estilista, que usou também lã merino e viés de couro.

Entre as cores, muito branco, laranja, verde e azul. Bem, clarinhos. Há minimalismo na cor e na forma, com exceção de volumes em alguns vestidos, mais modernos. Fernanda transformou túneis e pontes em dobras e amarrações. Pegou a cidade e fez tudo virar moda.

Mais conservadora, Fernanda não deixou suas modelos nuas na passarela, nem seus corpos aparecendo demais sob a transparência da gaze - como já fizeram outros nessa SPFW. Preferiu dar a elas as hot pants e as regatas de tricô.

Nos pés, em sapatos desenvolvidos com exclusividade pela Ciao Mao, a modernidade que não se viu nas roupas. Feitos de couro marrom com três bases de velcro em cada pé, esses calçados permitem aderir acessórios que os transformam, como pedaços de tecido ou "nuvens" de organza.

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Por Sabrina Passos (MBPress)

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