Fashion Rio e o que esperar do SPFW

Já conversamos por aqui sobre como observar e o que extrair dos desfiles de moda. Hoje aproveito que o Fashion Rio já está terminando e o SPFW está prestes a começar para refletir a respeito do que veio e virá pela frente.

Sim, a moda brasileira ainda segue a linha do que foi apresentado, principalmente, na Europa. Portanto a presença de referências vistas nos desfiles de Balmain e Balenciaga ainda são os pontos principais de muitos desfiles - ombros marcados, principalmente.

O sexy e o arrumado aparecem cada vez mais mesclados com o casual (e até esportivo), como fez Walter Rodrigues no Fashion Rio ao misturar all stars estampados com vestidos elegantes e ajustados até a altura do joelho com calças de alfaiataria, ou com longos fluidos.

Com relação a cartela de cores, esta aparece em grande parte dos desfiles neutra e contida. Cinzas, verdes militares, tons próximos ao marinho e variedades de marrons são pontuados por laranjões e azulões e, algumas vezes, com vermelhos também. Outras cores se fazem presentes em estampas étnicas e geométricas, como no desfile da Cantão no Fashion Rio - na minha opinião, a cartela mais 'brasileira' da temporada até agora.

A maior novidade aparece nos tricôs - trabalhados de forma a propor mistura de estruturas e caimentos diferentes. Nesse aspecto, o ponto fica para Lucas Nascimento e para a Coven que o fizeram com maestria.

O frescor que quebrou as coleções recheadas de elementos andróginos e estruturados veio pela leveza e feminilidade das criações como as de Graça Ottoni, que trabalhou sobreposições, rendas e transparências em proporções adequadas ao inverno brasileiro - principalmente ao carioca.

Em muitas marcas, o inverno será formado por um grande contraponto de materiais pesados e modelagens armadas com transparências e cortes fluidos.

Melk Z Da provavelmente foi o mais comentado nos twitters, sites e blogs de moda. Como bem colocado por Oliveros em seu 'Fora de Moda', o designer soube adaptar as propostas-febre vistas no inverno do hemisfério norte à sua marca e sem perder a essência das suas criações. Aliás, o desfile de Melk Z Da é um exemplo claro da importância de não apenas olhar as fotos de um desfile, mas também procurar pelos vídeos. Para mim, as fotos serviram apenas como introdução para a surpresa que veio ao assistir aos vídeos. Ao observar como as roupas se comportam na passarela, percebe-se que as fotos claramente não fazem jus ao caimento e aos detalhes das peças tão bem trabalhadas.

A princípio, o SPFW compartilhará dessa trajetória e será marcado pelas mesmas referências à moda européia exibidas na semana carioca. Seus destaques certamente ficarão por conta dos tão esperados desfiles de Alexandre H., Glória Coelho, Reinaldo Lourenço e outros que, espera-se, seguirão o exemplo de Melk Z Da e adaptarão essas vontades à nossa realidade, propondo versões menos literais e mais inovadoras.


Acompanhe o Especial SPFW do Vila Mulher para saber tudo o que rola nos desfiles, lounges e corredores da Bienal. E tem mais: nessa temporada eu também estarei presente para contar as minhas impressões em muito além do que apenas uma coluna!

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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