Falta criatividade na moda brasileira?

“Nada se cria tudo se copia”

Foto/Reprodução Copy Paste Fashion Week

Muitos estilistas, ao pesquisarem exemplos para grandes inspirações, acabam reproduzindo o que é apresentado nas passarelas internacionais. Será que faltam imaginação e autonomia para esses profissionais?

Obviamente que tomar como exemplo outros modelos já criados é normal, porém, é preciso que haja limite entre inspiração e cópia. No blog de moda CPFW - Copy Paste Fashion Week, foram divulgadas diversas fotos das semelhanças entre os looks criados por diferentes grifes e marcas internacionais.

"Isso acontece porque estamos vivendo a era da globalização, em que as notícias e tendências de moda chegam rapidamente (via internet). Há um número cada vez maior de pessoas que querem estar por dentro das tendências internacionais e se vestir como as blogueiras, celebridades e it-girls lá de fora", comenta a professora da Escola de Moda Sigbol Fashion, Andréa Muniz.

Ela lembra que a reprodução de peças de outras marcas pode gerar processos e multas. "Vide o caso da Hermès que processou a marca brasileira 284 por copiar a bolsa Birkin, modelo carro-chefe da grife. A marca deveria retirar do mercado sua cópia em moletom do acessório, sob pena de multa diária de R$ 10 mil limitada a R$ 1 milhão". De acordo com ela, as grifes nem sempre têm como controlar as cópias, pois se a marca que plagiou mudar algum detalhe, já não pode mais ser considerado cópia, e sim inspiração.

Apesar de vivermos uma democracia na moda, ainda está longe de o Brasil ditar tendências. "Portanto, elas ainda vêm de fora para cá", diz a professora. Talvez essa seja a explicação dada pelos estilistas brasileiros para copiarem os modelos trazidos do exterior.

Mas Andréa ressalta que as novelas nacionais ditam tendências para nós, brasileiros. E também faz uma revelação positiva: "Hoje em dia existem muitos estilistas locais com personalidade própria, que buscam desenvolver suas coleções sem ter que copiar os nomes internacionais. Alexandre Herchcovitch é um exemplo disso, Dudu Bertholini e Rita Comparato, da Neon, são outros."


Se as criações ficarem cada vez mais escassas, o país não vai mais precisar dos profissionais dessa área, pois sua verdadeira função não será mais exercida e a profissão terá que mudar o nome para ‘copialistas’ e não estilistas.

Por Caroline Belleze Silvi (MBPress)

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