Estou na moda?

Recentemente, voltei a dar aulas e o tipo de pergunta mais frequente que escutei no primeiro dia foi se eu gostava de determinada peça, ou o que achava de tal pessoa.

Pensando nisso, me veio a cabeça outra pergunta básica, que eu escuto sempre que alguém descobre que eu trabalho com moda: "e aí, estou bem? estou na moda?" Engraçado como as pessoas se preocupam em estar na moda e no que os outros vão pensar.

Claro, vestir-se bem para um evento, uma entrevista, um encontro, ou mesmo um passeio com a amiga no shopping é uma demonstração de respeito à outra pessoa. Quando nos preocupamos com a roupa que vamos vestir em um casamento ou aniversário, por exemplo, estamos retribuindo o cuidado que a outra pessoa teve em planejar o evento, demonstrando o respeito e consideração que temos por ela e o nosso prazer em participar da celebração.

Mas o que eu sinto é que as pessoas se preocupam da forma errada. Vestir-se bem está muito além de usar a roupa mais cara ou a última moda. Ao meu ver, se as pessoas parassem de se preocupar com o que está na moda e o que os outros gostam, não veríamos tantos equívocos pelas ruas.

Se está na moda porque foi proposto por algum estilista, ou porque muitas pessoas na rua estão usando, não quer dizer que você tem a obrigação de usar também. Mesmo que o item em questão não seja uma coisa pavorosa que daqui a alguns anos as pessoas tenham vergonha de ter usado (isso quando já usam sem gostar), mesmo que seja a coisa mais bonita que já se viu, se não está dentro do estilo, da realidade e da personalidade de quem usa, vai ficar feio. Da mesma forma que, quando "carregamos" aquilo que usamos, por mais estranho que seja, acaba ficando bonito e estiloso aos olhos de quem vê.

A imagem tem que fazer sentido. Quando uma roupa não está de acordo com o que somos, ficamos desconfortáveis e passamos essa sensação. Então para que tudo fique mais harmonioso, que tal parar de pensar se tal peça está na moda e se as pessoas acham bonito para começar a pensar se aquilo combina conosco e se nós acreditamos naquela peça, independente de estar na moda e da opinião de quem quer que seja?

As pessoas mais estilosas que eu já vi não usam coisas mirabolantes e nem carregam tantas peças que são "a última moda", mas sabem pontuar seu estilo e usar coisas que fiquem coerentes dentro de seu universo, sem se preocupar com que os outros vão pensar.

Tenha menos medo de errar. As chamadas "regrinhas básicas" são apenas para orientação, pois não existe isso de erro e acerto. Errado é não ser sincero com quem somos. TODO MUNDO têm dias melhores e piores.

Divirta-se com suas roupas. Pense em formas diferentes de usá-las, de combiná-las. Pare de usar "conjuntinhos" que já pré-estabeleceu com as peças do seu guarda-roupa e comece a se forçar a misturar tudo de formas diferentes.


Pense em uma forma de colocar a sua cara naquela imagem. Um acessório divertido, um jeito de sobrepor uma peça, um toque de cor em determinado lugar... Você pode gostar das mesmas coisas que as suas amigas, nem precisa se diferenciar tanto, mas não saia por aí uniformizada.

É a velha máxima do "seja você mesmo"!

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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