Elegância sem salto alto

Esta coluna de hoje vem com o propósito de acabar com um velho mito de que só se pode ser elegante de salto alto. Meu argumento quando uma cliente, leitora ou amiga me fala isso é sempre o mesmo: Audrey Hepburn, uma das mulheres mais admiradas por sua elegância (entre outras mil coisas), vivia de sapatilhas.

Acho sapatos de saltos altíssimos, como as platform pumps, divinos e chiquérrimos, mas meus pés se encolhem só de pensar.

Antigamente, vivia de sapatos com saltos de 12cm de altura e até me adaptava bem a eles, mas de uns tempos para cá, só os uso em ocasiões em que o salto é indispensável (como casamentos, festas e eventos formais - e, mesmo assim, muitas celebridades andam aparecendo de rasteirinhas pelos red carpets da vida questionando sua necessidade).

Sim, saltos altos deixam as pernas mais definidas, alongam a silhueta e até conferem uma melhorada na postura, não posso negar. Mas o que torna uma peça elegante não é o salto. O material, o formato, o modelo influenciam muito, e, principalmente, o conforto aparente em quem o usa. Muito menos elegante do que sair sem salto, é sair com um sapato que nos deixa desconfortáveis - ou porque não temos o costume de andar com eles, ou porque cansam os pés.

Ok, pode alegar que defendo esses modelos porque tenho 1,75m de altura, mas se prestar atenção em dois detalhes básicos, sua silhueta parecerá alongada mesmo de sapatilhas:

- quanto mais aberto o sapato, mais alongado seu corpo ficará.

- os tons nude, próximos à pele, também ajudam a criar uma linha contínua, fazendo com que suas perninhas parecerem mais longas (o mesmo efeito acontece quando o sapato e a calça, ou meia-calça, são da mesma cor).

Para quem acha que sapatilhas são muito clássicas e não se preocupa com uma silhueta "achatada", os sapatos oxford são uma boa pedida para modernizar o visual com conforto.

Mas todo cuidado é pouco. Da mesma forma que abusar de saltos muito altos prejudica a saúde, rasteiras sem salto nenhum causam danos também!

O Ministério da Saúde não advertiu nada, mas eu o faço por experiência própria. Após passar 2 meses andando por NY de rasteirinhas, sapatilhas e botas sem salto, ganhei de souvenir uma dor insuportável nos calcanhares: tendinite.

Segundo o médico, eu deveria usar apenas tênis (deselegantes) e saltos médios e grossos (pouco práticos quando se vai andar muito), mas meu amor por sapatilhas é eterno e isso motivou minha busca por soluções alternativas, que acabassem com a necessidade de excluí-las da minha vida.

Se você não quer chegar nesse ponto de ter que tomar remédios e fazer fisioterapia, mas também é apaixonada por sapatilhas como eu, usar sapatos que tenham pelo menos um saltinho bem baixo e grosso ajuda muito - algumas sapatilhas da Melissa tem um salto anabella bem discreto que não interfere na altura da sapatilha, não aparece e é perfeito para amortecer.


Outra solução é adquirir calcanheiras de silicone que também ajudam no amortecimento (são vendidas em qualquer farmácia ou loja especializada), mas eu sugiro que se cole um velcro nelas e nos sapatos, para que se mantenham no lugar.

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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