Diário SPFW

SPFW é praticamente uma maratona. Caminho (às vezes, corro) o tempo todo. De um backstage aqui, para uma sala de desfile ali, com uma eventual parada em um lounge ou para fotografar e entrevistar alguém pelo caminho... Se você tem curiosidade em saber como é a rotina de quem faz a cobertura de imprensa do SPFW, esse "diário" é para você!

O dia começa entre 6h30 e 7 h da manhã quando acordo e dou início a minha pesquisa: descobrir o que aconteceu nos desfiles que eu não consegui assistir; rever, agora com detalhes, as peças dos desfiles que eu já assisti; organizar as pautas do dia; escrever as pautas pendentes; enviar o material para a editora e trocar idéias com ela sobre o que pode ser interessante para o portal.

Depois de me arrumar e comer alguma coisa rápida, chego na Bienal lá pelas 13h30. Logo, já checo a possibilidade de entrar nos backstages que já estiverem acontecendo. O primeiro foi o da Simone Nunes, onde observei os detalhes da beleza; conversei com a dona da Gharimpeira, Cristiane Azevedo, sobre a parceria com as marcas e os requisistos para essa temporada; e, finalmente, com a própria Simone, a respeito da coleção.

Saio correndo para o desfile de Ronaldo Fraga. Estou impressionada. Depois desse desfile, já poderia ir para casa! Pausa para um almoço super rápido e para acalmar as idéias e organizar as anotações do desfile. Enquanto circulo pela Bienal em direção ao desfile de Simone Nunes, para ver como tudo aquilo visto no backstage vai aparecer na passarela, estou atenta para tirar fotos de algum estilo interessante pelos corredores.

Sento e já começo a escrever sobre o que vi nos backstages e as principais inspirações. As luzes se apagam e a caneta para por um instante. O desfile começa, e a caneta volta a trabalhar. Saindo de lá, corro para a sala de imprensa para concluir meu texto, agora com tudo o que vi na passarela, e enviar para a editora.

Já nem sei mais que horas são. Mas já passam de 16h. Ainda bem que deu tempo de entrar no backstage da Fabia, que, apesar da fila, foi bem rápido, pois liberaram apenas a área da beleza. Saindo do backstage, vou direto para a sala, já aberta, onde ocorrerá o desfile da Fábia Bercseck. Aproveito para tirar mais fotos de pessoas estilosas e observar a movimentação.

Logo no começo, quero várias peças! Mesmo que ela só tenha feito uma ilustração (sua marca principal), o desfile foi completamente Fábia. Quero o colete de correntes e a ankle boot de salto e bico finos. E os tricôs também. E muitas outras!

Converso com a Juliana (repórter do Vila Mulher que está aqui comigo hoje) sobre o que vimos no desfile e o que deve entrar no texto. Enquanto ela escreve, corro pelos lounges. Primeiro fui ao lançamento do Glossário de Moda da Lycra no lounge da L´officiel, depois conheci os lounges da Seda, da Tam e o da Vogue. Sempre parando pelo caminho para fotografar e conversar com as pessoas mais estilosas. No lounge da Rexona, converso com a assessora para saber mais sobre o produto lançado e sobre os eventos do lounge. Felipe Solari está discotecando e a equipe de Julia Petit está blogando. Peço para fotografar a Julia, pessoa mais simpática e querida da face da terra! Muito fina e educada, sempre sorridente, pede para retocar o batom e faz pose para a foto. De lá, vou conhecer, de perto, a nova coleção da Melissa. Me apaixono por uma ankle boot de tachas divina.

Saio correndo para ver o desfile da Ellus, da sala de imprensa mesmo. No caminho, vejo Mel Lisboa sendo fotografada por uma multidão de fotógrafos. Ela é uma graça, mas é tão pequena e delicada que mal reconheci - parecia tão nova que achei que fosse parte do elenco da Malhação.

Devidamente instalada no sofá da Sala de Imprensa, assisto ao desfile sem me impressionar e faço poucas anotações. Mais uma corrida pelos corredores e lounges atrás de pessoas com estilo marcante. O lounge da Vogue era um prato cheio, mas estava tão lotado que não conseguia andar, que dirá fotografar. Volto para a sala de imprensa para descarregar as fotos do dia e aguardar pelo desfile da Triton. Os desfiles da noite são sempre recheados de globais, por isso mais caóticos. Prefiro assistir do sossego da sala de imprensa, a enfrentar a multidão para tentar entrar.

Enquanto aguardo o desfile, atrasado por sinal, faço pesquisas, organizo anotações e como alguma coisa. Servem comida quase o tempo todo na sala de imprensa. Vou sair daqui 3kg mais gorda. Nota para mim mesma: comer apenas salada e frutas pelas próximas três semanas. Mas deixa eu comer esse sonho primeiro...


O desfile demora a vida toda para começar. Lá fora está caindo o mundo, mas eu só sei disso porque vejo o clarão dos raios. Uma vez que você entra na Bienal, perde a noção de quando é dia e quando é noite, de quando está sol ou está chovendo. Finalmente começa. Crash de tudo! Estampas e texturas, tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora. Adorei todo esse colorido, a cara da marca. Faço mais anotações no meu já judiado caderninho.

Depois que o desfile acaba, enfrento quase uma hora de fila para pegar o táxi. Ao chegar, tomo um banho maravilhoso, separo minhas roupas para o dia seguinte, anoto uma coisa ou outra, programo o despertador para as 6h30 e deito para dormir. Quase 1h da manhã e, apesar das dores no corpo e na cabeça, a adrenalina está a mil e eu custo para pegar no sono. Torço para que isso aconteça logo, pois amanhã será outro dia cheio: tenho 3 textos para escrever antes mesmo de ir para a Bienal, fotos para selecionar e editar, mais coisas para pesquisar, mais desfiles para assistir, novas fotos para bater e ainda pretendo entrevistar a Julia Petit!

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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