Desconstrução da alfaiataria

Numa época onde praticamente não existe mais o que inventar, o que resta aos estilistas é propor novas formas de usar o que já existe. É o mais do mesmo, mas de forma totalmente diferente.

A maneira mais usada de modificar o que já existe, é através da desconstrução da alfaiataria. E como foi desconstruída! Só no dia 20, vimos Érika Ikezili, conhecida por suas peças estilo origami, brincando com os formatos de lapelas, colocando-as em pontos estratégicos das peças, como nas costas, de forma que o efeito as vezes fosse de um plissado, outras de uma espécie de persiana.

No desfile da Amapô, além dos zíperes que se abriam em fendas, possibilitando a transformação das peças em várias formas diferentes, as golas das camisas também eram multiplicadas para criar a ilusão de sobreposição, e os paletós tinham mangas falsas amarradas na cintura, criando volumes nessa região, tanto para homens quanto para mulheres.


E, fechando o dia, a Animale desconstruiu tudo o que podia. No desfile apareceram barras e golas completamente assimétricas, fendas horizontais, diagonais, nas costas, abaixo da linha dos seios, na cintura, em todos os lugares, em cima disso ainda haviam recortes falsos imitando sobreposições, e as já muito vistas peças com apenas uma manga

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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