Couro de peixe: essa moda pega?

Couro de peixe essa moda pega

Divulgação/ Peltica

O couro é um material que nunca sai de moda. Coleções vão e vem, e ele sempre aparece em algum lugar, em especial nos acessórios. Além disso, o couro é bem popular aqui no Brasil e normalmente inspira elegância.

Só que agora uma ideia inusitada promete incrementar as opções em couro e deixá-las ainda mais brasileiras: o uso da pele de peixes para a confecção de diversas peças. A iniciativa conta com o incentivo da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas por meio do projeto AMA (Ame o Amazonas) e até da famosa grife Iódice.

Apesar de ser uma renovação nos setor de peles, o couro desses peixes já vem sendo pesquisado há algum tempo. De acordo com Nilson Carvalho, coordenador do Projeto de Beneficiamento de Couro de Peixe do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), a primeira tentativa de uso desse material aconteceu em 1967, em Manaus. Mas foi há pouco mais de 10 anos que o órgão obteve resultados positivos em pesquisas feitas com pele de várias espécies com ou sem escamas, como tambaqui, tucunaré, pirarucu, surubim, pirarara e filhote de piraíba. "Firmamos algumas parcerias com a iniciativa privada, porém as tentativas não vingaram no sentido de colocar o produto no mercado", diz Nilson.

No entanto, ele acredita que, dessa vez, o projeto dê bons resultados. Até porque, hoje, existe o interesse de empresas privadas no uso do couro de peixes amazônicos. A Iódice, por exemplo, resolveu investir nisso, sendo parceira do Estado. "A parceria funciona a partir de indicações junto às unidades de conservação, que são 52. Adotei uma unidade de conservação da Reserva Extrativista do Rio Gregório. E a cada peça (feita de couro de peixe) vendida nas lojas não só de acessórios, revertemos R$1 para essa unidade", explica Valdemar Iódice, responsável pela marca. Ele descobriu o couro de peixe depois de uma viagem de estudos ao Amazonas, para criação de uma coleção.

A empresa gaúcha Péltica vende esse tipo de pele para fábricas de calçados e bolsas, mas também para o setor moveleiro e de interiores. E o uso se dá devido a algumas vantagens, apontadas por Alexandre Frasson, sócio na empresa: matéria-prima abundante no Brasil, beleza, exotismo, exuberância, diversidade e resistência do material e sustentabilidade.

A justificativa da Péltica faz sentido se observarmos dados da Agência de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas (ADS). Cerca de 10 milhões de peixes poderiam ser fornecidos para curtumes e aproximadamente três toneladas de peles poderiam ser aproveitadas diariamente no Estado. "A utilização desta matéria-prima em escala industrial evitaria a emissão de várias toneladas diárias de resíduos sólidos, minimizando o impacto sobre a natureza e, ao mesmo tempo, gerando riquezas únicas e renda para toda a cadeia produtiva do pescado", observa Alexandre.

Segundo o coordenador do Projeto de Beneficiamento de Couro de Peixe do Inpa, o governo do Estado pretende investir uma alta quantia para construir um curtume com capacidade suficiente para um beneficiamento satisfatório da pele de peixes da região. O novo curtume faz parte de um projeto que tem por objetivo a utilização continuada desse material no Brasil e no mundo, por meio de pesquisas, extensão e treinamento de produtores locais e quem mais se interessar em trabalhar com essa matéria-prima.

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Olhando para qualquer peça feita do exótico material, observamos que ela é única, pois cada peixe tem um desenho diferente em sua pele. Portanto, os itens são exclusivos e a diversidade é incrível. Parece que essa moda pega, sim. Na Europa, peças usando esse tipo de matéria-prima já são vendidas por até R$ 6 mil!

Por Priscilla Nery (MBPress)

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