Consumo de moda x consciência

Consumo de moda x consciência

Divulgação/ Levi's

Eu tenho pensado muito em como essa história de fast fashion e de excesso de tendências além de fazer com que alguns percam um pouco da sua personalidade diante de tantas ofertas, também estimula o consumo excessivo e como isso vai contra a nossa necessidade de diminuir esse ritmo para encontrar respostas que, no mínimo, não prejudiquem o meio ambiente.

Eu sei que quando passamos por uma vitrine e olhamos aquela bolsa maravilhosa "com um precinho tão pequeno", nosso desejo fala muito mais alto e não consideramos tantas coisas que deveríamos na hora da compra. Não apenas sobre como aquilo trará retorno para o nosso investimento em termos de combinações que poderão ser feitas com as coisas que já possuímos e com quantas vezes poderemos usar a peça, mas em todos os outros aspectos que aquela compra reflete direta ou indiretamente em nossas vidas.

Por exemplo, qual a preocupação que a empresa teve ao fabricar aquilo? Os materiais empregados eram os menos poluentes possíveis? Os funcionários envolvidos na fabricação possuem condições adequadas de trabalho - ou que pelo menos estejam de acordo com a legislação? A empresa tem alguma preocupação que vá além do mínimo com relação à responsabilidade social e ambiental? Claro que algumas dessas coisas não podemos saber realmente, até porque muito do que é feito hoje em dia tem muito mais marketing por trás do que uma preocupação real (em qualquer área), mas qualquer informação já é um começo.

Bastam alguns cliques e uma pesquisa rápida pela internet para aprender que existem estilistas como Stella McCartney que não trabalha com nenhum material de origem animal e descobrir coisas como a lista de exigências que foram desde a escolha dos materiais menos agressivos ao meio ambiente, até formas de reaproveitamento que Oskar Metsavaht fez ao assinar sua parceria com a Riachuelo, que aparentemente acabou adotando esses princípios em outras coleções.

Também podemos conhecer projetos de menor escala que trabalham a reciclagem de peças prontas, como as marcas Andrea Crews e Milch, e que existem coisas similares aqui no nosso país mesmo, como o "Born Again", de Rita Wainer e o Projeto Moda Reciclada que ocorreu no shopping Morumbi há alguns meses, entre muitos outros. Além das inúmeras ongs que atuam em comunidades carentes, como a já famosa Coopa Roca que, inclusive, faz parcerias com Carlos Miele há anos, além de já ter atuado junto a outras grandes como C&A e Osklen.

É com esse conhecimento que podemos discernir entre pagar um pouco mais em uma peça que não só tenha boa qualidade e durabilidade, mas que também não reduzirá a durabilidade do nosso mundo e nem foi feita às custas da qualidade de vida de outras pessoas. E isso independe do seu poder aquisitivo, já que podemos encontrar boas soluções mesmo em lojas de preços mais acessíveis.


Eu sei que esse assunto pode parecer papo de "ecochato", mas a realidade é que se não começarmos a nos preocupar com como cada coisa que consumimos vai muito além do dinheiro que sai dos nossos bolsos e o espaço físico que ocupa em nossas vidas, não conseguiremos sair desse enorme problema em que nos enfiamos ao longo dos anos.

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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