Consumistas assumidas investem um salário em um sapato

Consumistas assumidas investem um salário em um sa

Não tem jeito. Quando uma mulher se apaixona por uma bolsa ou um sapato, ela faz de tudo para comprar. Mesmo que este tão cobiçado acessório custe metade ou quase todo o salário suado do mês. Para algumas esse pecado capital foi cometido apenas uma vez. Para outras esse ato, muitas vezes impensado, faz parte da rotina.

Mas não pense que somente as anônimas cometem essas loucuras. Celebridades também adoram estar em dia com a última moda e não poupam esforços, e nem o bolso, para adquirir as criações dos estilistas mais famosos. As atrizes de Hollywood, por exemplo, estão fazendo fila para comprar o mais novo lançamento da coleção da grife Jimmy Choo. Chamada Quinze, a sandália, feita de camurça e tule, com tiras cobertas de cristais, custa a bagatela de 1.295 euros! Outro objeto de desejo de algumas mulheres que merece atenção, mas pesa no bolso, está no Shopping Iguatemi. A loja de grife italiana Missoni possui uma sapatilha que custa nada mais, nada menos, que R$ 1.990.

A atriz Taís Araújo já revelou em entrevistas que tem respeito pelo dinheiro, mas ela gosta de grifes e já foi flagrada usando uma bolsa da marca Chanel, cuja variação do modelo, da marca Lenny & Cia, não sai por menos de R$ 1.690. Carolina Dieckmann e Danielle Winits também adoram peças cobiçadas da moda e, volta e meia, são flagradas usando bolsas da Maison Goyard ou um modelo de Louis Vuitton.

Segundo pesquisa realizada pela MCF Consultoria & Conhecimento e pela GfK Indicator, empresas nacionais e internacionais que atuam no Brasil faturaram cerca de US$ 6 bilhões de dólares em 2008. Entre as marcas mais consumidas estavam H Stern, Daslu, Louis Vuitton e Chanel. O levantamento foi aplicado entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009 e teve como objetivo mensurar o tamanho do mercado do luxo brasileiro. Foram contemplados diferentes nichos, entre eles moda, bebida, alimentação, cosmético, automobilístico, entre outros.

Já o Instituto Nacional de Defesa dos Consumidores (ANDIF) revelou que, em 2008, 5,2% das 10 mil mulheres associadas pesquisadas faziam compras de maneira compulsiva, contra apenas 2,4% dos homens. Em 2009, esse número pulou para 7,4% no universo feminino, enquanto no masculino os dados caíram para 1,9%.

Bárbara Taíde, de 18 anos, é uma das mulheres que ajuda a fomentar esta estatística. Ela começou a se deliciar no paraíso das compras aos 16 anos, quando conseguiu seu primeiro emprego. "Adoro comprar bolsas, sapatos e roupas e não sou muito preocupada com marcas. Como ganho R$ 500 de salário, recorro ao cartão de crédito da minha mãe, que também gosta de gastar e está sempre presente no ato da compra", explica. Mas ela faz questão de dizer que paga tudo depois. "Quando eu estou sem minha mãe, compro à vista com o meu dinheiro. Minha irmã também é consumista, mas como é casada, gasta o cartão de crédito dela e do marido", completa.

A estudante de Jornalismo conta que já chegou a gastar R$ 1.000 em um único dia no shopping: "Comprei tênis, roupas e bolsas. Eu adoro comprar o kit completo: calça, a blusa, a bolsa e o calçado".

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Não há uma determinada situação que motive Bárbara a comprar mais, apesar de confessar que, quando recebe o salário ou está triste, não mede esforços e sai gastando. "Para mim, o ato de comprar me traz bem-estar e compro sem a menor necessidade. Chego a ficar chateada quando não concretizo uma compra", afirma. A jovem garante que 5% do seu guarda-roupa nunca foi mexido e que 20% foi usado apenas uma vez.


Para uma parcela da população, comprar compulsivamente corresponde a uma doença, conhecida como oneomania. Ainda não se possui dados concretos sobre a doença no Brasil, mas mundialmente ela atinge de 5 a 8% da população. E pasmem: a porcentagem entre homens e mulheres considerados compradores compulsivos é semelhante: 5,5 e 6%, respectivamente.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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