Casa de Criadores - O début dos estilistas

Desfile Casa de Criadores

Foto Divulgação

A 23ª edição da Casa de Criadores, realizada na semana passada em São Paulo, não só apresentou novas caras do mundo da moda (participantes do Projeto Lab. Valencio Lemes, João Paulo Elias, Tony Jr., Marya Nasser, Der Metropol, Clarissa Lorenz e R. Rosner), como também levou profissionais de outras edições novamente às passarelas.

O evento, famoso por revelar estilistas, como Marcelo Sommer, Ronaldo Fraga e Juliana Jabour, contou com a organização de André Hidalgo. Segundo ele, os novatos têm um clima diferente. “Eles injetam um frescor nos desfiles. Grandes marcas têm um compromisso comercial muito grande e não têm esse frescor. As pessoas gostam do novo”, disse.

Responsável pela organização do evento desde sua estréia, ele acredita que o ramo se profissionalizou muito nos últimos anos e isso auxilia quem está seguindo a profissão. “Antes era mais trabalhoso, a pessoa fazia tudo sozinha. Agora, se queima uma série de etapas, é mais fácil, mas não é para qualquer um. Apesar das mudanças, a grana ainda é a mesma”, brinca.

O estilista João Pimenta já participou de outras edições da Casa de Criadores, da Semana Internacional de Moda de Madri e até da Texworld de Paris. Mesmo assim, nos bastidores do evento paulistano era possível encontrá-lo ansioso em meio aos modelos. “Estou muito ansioso, tentando fazer um trabalho diferente. Costumo criar apresentações performáticas, com um teatrinho, mas hoje vou focar no homem”, declarou ele, antes do desfile.

Sua coleção teve roupas de cintura marcada, silhueta ajustada e formas grandes nas peças de cima. “Eu me inspirei nos uniformes de beisebol e futebol americano. Pensei em roupas usuais, que possam ser utilizadas à tarde para passear. Não sei se o certo é falar que é cafona ou jeca, mas a referência foi os anos 70, com muito moletom e malha”, declarou. Em relação às cores, o estilista utilizou a cartela vintage, apoiado no vinho e marinho, como nos uniformes de times.

Com um público diversificado, a Casa de Criadores contou ainda com a presença de bandas para animar o ambiente enquanto os desfiles não começavam. Gustavo Abreu, baterista e vocalista da banda “NRK”, aprovou o evento e ainda escolheu sua grife favorita. “Quero ver o Rober Dognani, que sempre faz coisas legais. Ele é o cara ideal para vestidos de noite, porque cria peças totalmente diferentes e usa cores diversificadas”, opinou o músico.

Os desfiles buscaram inspirações distintas. A grife Attention Deaf Disorder (ADD), do estilista Faissal Makhoul, por exemplo, se espelhou na Califórnia do final dos anos 70, com elementos do Oriente Médio. As cores básicas foram o preto, branco, vinho, verde-menta, cinza e bege.

O pernambucano Gustavo Silvestre mostrou sua coleção com tons de telha, areia, palha e ocre, inspirado na cultura brasileira. Além disso, desenvolveu novos bordados e desfilou estampas exclusivas para o próximo verão.

A cantora Cláudia Leitte entrou na passarela para Walério Araújo, também na noite de quarta-feira. Com um vestido longo de tule marrom bordado, ela apareceu com os cabelos presos e pouca maquiagem para desfilar peças do estilista veterano, que faz suas roupas para os shows. O desfile da grife teve tons de fúcsia, berinjela, bege e laranja, colorindo bodies e macaquinhos com muitos babados.

A grife Der Metropol, primeira do Projeto Lab a aparecer na passarela, apresentou mulheres com bermudas bufantes, cavalo baixo e camisetas com recortes geométricos. Já as modelos de R. Rosner, também do Projeto Lab, desfilaram vestidos de festa. A top Bruna Sotilli fechou a apresentação com um vestido longo de noiva.

João Elias, do mesmo projeto, mostrou tecidos finos em seus vestidos decotados e Tony Jr. apostou nos babados e mangas bufantes. Márya Nasser confiou nos vestidos e Clarissa Lorenz foi a única a desfilar uma coleção de lingeries, com muita transparência e tons sóbrios.

Enquanto isso, o grupo de estilistas P’tit investiu no desfile performático. Uma modelo caminhou lentamente no meio das outras em passos largos, enquanto um percurssionista se apresentava ao fundo. Com motivos indígenas, a grife apostou em tons de marrom e bege.

Rober Dognani fechou a noite com vestidos de festa coloridos, inspirados nas cores do arco-íris.

No último dia da Casa de Criadores, foram apresentadas as coleções das grifes Gêmeas, Ianire Soraluze, Prints I Like e Ash, entre outras. A primeira, comandada pelas irmãs gêmeas idênticas Carolina e Isadora Krieger, mostrou roupas inspiradas em mulheres adultas e arrumadas, porém joviais.

A espanhola Ianire Soraluze criou peças de listras claras, babados, vestidos soltos curtos e longos, com camadas nas barras, e saias curtas em jeans leve. A Prints I Like optou por estampas tropicais para sua coleção, além dos babados, muito vistos durante os desfiles. Já a marca Ash, que encerrou a noite, fez um protesto contra a matança de baleias. Os estilistas Guil Macedo e Roberto Leme usaram desenhos de baleias, peixes e outros animais aquáticos para estampar suas roupas.

Fonte - MBPress

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