Bazar de trocas para gordinhas

Bazar de trocas para gordinhas

Se depois de pelo menos um ano você não usou aquela blusinha que comprou na liquidação dificilmente vai adotá-la no seu próximo look. É, sem dúvida, uma forte candidata para doação. Ao invés disso, você também pode aproveitá-la nos chamados bazares de trocas. Uma oportunidade de reciclar seu guarda-roupa sem qualquer custo e ainda doar as peças que sobrarem.

A moda dos bazares encontra na internet uma ótima forma de divulgação. Uma iniciativa que está em plena expansão, tanto que alguns eventos são especializados. Gordinhas, por exemplo, já garimpam peças em tamanhos especiais no Troca-Troca GG, promovido pelo site Garotas Formosas. A segunda edição aconteceu no dia 25 de setembro. E segundo Rebecca Steinhoff, uma das idealizadoras, o próximo será em breve. "No início de dezembro, nas primeiras semanas. Vamos definir a data", diz.

Geralmente quem participa do Troca-Troca GG são usuárias do site e pessoas próximas, no máximo 60 mulheres. O diferencial desse bazar não está apenas no tipo de peças, elas também optaram por usar uma moeda de troca, ou seja, ao invés de você fazer o velho escambo, trocar uma peça por outra, cada item vale créditos. "Antes de entrar no evento, elas já entregam as roupas que são avaliadas conforme o seu estado de conservação e características - não precisam ser necessariamente de marcas mais renomadas, mas com um visual bacana. As meninas recebem o "dinheiro" e aguardam a colocação das peças nas araras com os respectivos preços. Enquanto isso, elas participam de uma atividade divertida e batem um papo", explica Rebecca. E o que acaba sobrando é doado para instituições.

Para Graziela Matte, também organizadora do bazar, as roupas plus size geralmente são mais caras. "Dessa forma os bazares acabam sendo uma ótima oportunidade. O nosso, inclusive, contou com uma consultora de moda, ótimo para tirar dúvidas. Por sinal, hoje em dia não encontramos nas lojas vendedoras gordinhas que, muitas vezes, não sabem nos orientar", comenta. Já Rebecca diz que é difícil encontrar roupas com um bom acabamento. Mesmo com a inauguração de novas marcas, especializadas em peças GG, ainda é lá fora, nos Estados Unidos, onde elas encontram os melhores modelos.

"Boas escolhas também são imprescindíveis na hora de montar o look. Geralmente elas não são feitas porque muitas mulheres ainda olham para o espelho e imaginam um bloco só. Ao eleger as peças é preciso pensar em partes isoladas. Além disso não se basear apenas na ideia de que há roupas para magrinhas ou para gordinhas, mas sim no formato do corpo, estilo de vida e nas cores que combinam mais com a pele", explica Daniela Braga, consultora do bazar que costuma organizar e participar de eventos como esse.

Graziela, por exemplo, tem os ombros largos, pernas e braços finos e a barriga mais saliente na área do estômago. Seu formato de corpo é do tipo triângulo invertido. "Então já sei que posso usar calças estampadas e do tipo skinny, além de bermudas e saias acima dos joelhos porque tenho pouco volume nos quadris e pernas mais finas. Já blusas que ficam caídas nos ombros não me favorecem. "Ao invés da cintura império, abaixo dos seios, para o meu corpo a melhor escolha é do estilo anos 20, mais baixa", explica.

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A regrinha número dois da consultora é ampliar os horizontes e saber escolher os acessórios. Segundo Braga, muitas das participantes ainda são inseguras com o próprio corpo e não experimentam simples mudanças. "Um cinto valoriza o look sim, desde que esteja no lugar certo. A legging é ótima para quem tem pernas finas (como é o caso de Graziela)". Outra boa dica é eleger uma "wish list", lista de desejos e necessidades antes de sair à caça.

"Observe antes o que você realmente precisa. Roupas para trabalhar, para sair etc. Geralmente boas aquisições são casacos, vestidos, blusinhas e, claro, sapatos e acessórios. O mais difícil mesmo é a parte de baixo, mais ainda quando o bazar não é de tamanhos especiais, por conta de achar a peça com o seu número", destaca a consultora.

Antes de eleger as roupas que você vai doar para o bazar veja se elas realmente estão em bom estado e foram usadas poucas vezes, porque aí sim a troca será justa. Daniela explica que geralmente isso não acontece porque muitos dos bazares são feitos em casa, com grupos menores. Entretanto, como a ideia está crescendo, ela diz que alguns eventos ganharam até status de brechó.


"No Rio de Janeiro, por exemplo, o evento "Bazar bom demais para ser verdade" foi realizado em um barzinho. As organizadoras aproveitaram o espaço e colocaram as araras de roupas. Funcionou assim: você vendia uma blusa por cinco reais, por exemplo. A vendedora achava que ela valia doze e colocava em uma arara. Uma porcentagem ia para o lugar e outra para a organização, ou seja, os sete reais de lucro era dividido entre os dois". O restante foi doado.

Por Juliana Lopes

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