Apostas para o Fashion Rio

Apostas para o Fashion Rio

Croqui 2nd floor. Foto: Divulgação

Os últimos meses passaram mais rápido do que imaginávamos e cá estamos novamente em mais um especial! Como amanhã começam as semanas cariocas, não poderia começar a temporada sem o já tradicional levantamento das expectativas para os próximos dias.

Teremos uma temporada de inverno com várias baixas, como Ronaldo Fraga (cuja ausência ainda não consegui aceitar), Reserva, Priscilla Darolt, V.Rom, Paula Raia, British Colony, Têca, e Totem que vão pular a temporada.

Há também Lucas Nascimento, que já não desfila desde a temporada passada e continua sem nos brindar com o frescor de suas criações nesta edição. Já no Senac Rio Fashion Business, entre as ausências mais notadas, estarão as de Carlos Miele e Mara Mac.

Mas também teremos novidades, trocas e retornos! R. Rosner (ex Casa de Criadores), por exemplo, estreia no line-up da SPFW. E a Uma torna a desfilar em São Paulo depois de alguns anos.

Pois é... Trazer celebridades para as passarelas continua em alta e - enquanto a TNG elegeu como casal global da vez Carolina Dieckmann e Marcelo Serrado - Ashton Kutcher e Alessandra Ambrósio, que está grávida, vêm para a Colcci mais uma vez. Entendo a importância de celebridades para gerar burburinho em torno dos desfiles, porém fico na torcida para que isso não deixe a moda em segundo plano.

Mas vamos ao que interessa: as "tendências".

Através de alguns previews já divulgados, pudemos saber que MelkZ-da andou se inspirando nas bonecas de barro, enquanto Victor Dzenk vai homenagear o Maranhão, inclusive usando muita chita. Ou seja, essas inspirações regionais certamente requentarão a velha discussão sobre a "identidade de moda brasileira".

Apesar disso, muitas propostas "gringas" serão traduzidas pelos nossos criadores.

Começando pelas cores, se depender do que vimos lá fora e dos previews já divulgados, os tons terrosos e o preto obviamente vêm marcar seu lugar quando as temperaturas caírem, mas algumas cores vibrantes, como os laranjas e rosas, quebrarão essa sobriedade.

Falando em cores, tudo indica que o color blocking evoluirá em uma versão mais contida, conquistada por recortes pontuais (e bem geométricos) em uma mesma peça, ao invés da atual junção de peças diferentes em cores saturadíssimas. Entre as marcas que abusaram da proposta fora do país, Derek Lam e Jonathan Saunders estão na lista.


Uma tendência que também deve aparecer bastante nas passarelas nacionais é a de substituir a meia-calça por skinnies e afins, como Lagerfeld vem sugerindo há algumas temporadas na Chanel.

Com relação às décadas, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, os anos 60 marcaram presença em diversas passarelas, como na Azzaro e Alberta Ferreti. Uma marca que já declarou que vai mostrar muitas inspirações da década em seu desfile é a Cholet.

Chega a ser redundante falar que o mix de estampas e texturas é uma tendência forte, pois tal qual o paetê e as animal prints, parece que não nos deixarão jamais. Entretanto nessa temporada o "crash" fica ainda mais evidente.

Alias, por falar em "animal", se você investiu em uma pele fake no inverno passado, provavelmente ficará contente em saber que ela sairá do armário novamente neste inverno. O material foi fortemente apresentada nos desfiles do hemisfério norte e, para estes lados, não deve deixar de aparecer pelo menos um pouquinho.

E para encerrar esse levantamento e já começar a lista de "peças-chave", uma das mais vistas nos desfiles internacionais que também deve marcar presença por aqui, é a parka. Aliás, provavelmente, também veremos muitas outras idéias com ares utilitários e/ou masculinizados, como o Le Smoking de YSL, que ganhou incessantes releituras.

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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