A moda Cosplay

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Foto - Liz Micheleto (Site Cosplay Brasil)

O universo dos mangás e animes - quadrinhos e desenhos japoneses - é mais complexo do que se imagina. São verdadeiras legiões de fãs, muitas delas aficionadas pela arte do “cosplay”, que significa fantasia para brincar.

Espalhados pelo Brasil afora, os chamados cosplayers de todas as idades, principalmente adultos, se caracterizam com roupas dos personagens dos desenhos - Sailor Moon e Naruto são os mais famosos - ou filmes, entre eles, Star Wars e Harry Potter. O hobby é levado tão a sério que até existem vários campeonatos. Os praticantes adotam o sistema "Do it Yorself" (faça você mesmo), com direito a uma super produção.

Eles mesmos providenciam os materiais e montam a própria roupa. Na rede, você encontra de tudo para a confecção. Desde kits dos personagens, com armaduras, detalhes para a cabeça e capas, até os chamados “tutoriais”, onde se explica passo a passo como montar o traje.

Mas há quem prefira contratar artesãos ou costureiras. Tanta perfeição aqueceu ainda mais o mercado de fantasias. Estudantes de moda, artistas plásticos, e pessoas que já confeccionam peças do tipo, encontraram um grande filão, afinal, eles chegam a cobrar entre 80 e 400 reais só pela mão de obra, isso sem contar o material. Ao todo, uma roupa completa pode chegar a mil reais.

Quem entrou nessa foi à figurinista e artista plástica brasiliense Daiara Figueroa, que comercializa tudo pela internet. “O cosplayer gosta de exclusividade, todos os pedidos são únicos. É difícil encontrar trajes para alugar. Em São Paulo você encontra roupas genéricas, mas sempre com um ateliê para encomendas pessoais”, explica.

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Fotos - Vestido de Daiara Figueroa (Cesar Moura) e Site Cosplay Brasil

Daiara é especialista em fantasias medievais e começou por acaso a confeccionar para cosplayers. Durante a temporada dos campeonatos, ela chega a ficar no máximo três semanas se dedicando a uma só peça.

Para a artista plástica, cosplay é sempre uma aventura, com direito a uma pesquisa histórica personagem. A roupa deve ser fiel na aparência, mas leve e fácil de vestir. Muitas vezes os moldes são criados apenas com imagens de referência.

Geralmente detalhes e acessórios como armas e armaduras são os mais difíceis de fazer. Apesar dos artesãos procurarem materiais leves - para a pessoa ter mais agilidade na apresentação - há também os mais ortodoxos que não abrem mão dos artigos originais, com direito a jóias.

“Mas a maioria pede para adaptar os materiais. Os alternativos e reciclados resolvem grande parte. É importante ter a mente aberta. A roupa deve ser fiel visualmente, mas com caimento”, conta.

A estudante de moda Natalie Lee quer participar de campeonatos, mas ainda não se sente preparada. Mesmo assim já começou a fazer pequenas peças para um grupo. A formação em modelagem industrial ajuda a ter noção de medidas e proporções das roupas. Mas ela confessa que recorre aos tutoriais para confeccionar as fantasias.

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Fotos - Conjunto Daiara Figueroa (Cesar Moura) e Roupa de Natalie Lee

Natalie trabalha junto com a sua mãe em uma loja especializada em jaquetas para moto clubes e bonés, que fica na Galeria do Rock, localizada no Cento de São Paulo. Como a concorrência ainda é pequena, ela afirma que muita gente se aproveita disso e chega a cobrar muito alto, até mil reais. “Alguns trajes vão até para leilão”, diz.

Mas os vencedores dos campeonatos não precisam apenas de fiéis reproduções das roupas dos personagens. “É um conjunto de requisitos: maquiagem, trejeitos e falas. Os suportes cênicos também são de grande ajuda: sonoplastia, iluminação e cenários móveis. E, claro, a criatividade do cosplayer para a criação de uma situação. Uma fala inusitada, engraçada e agradável ao público surpreende ainda mais”, finaliza.

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Por Juliana Lopes

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