Mostra com muitas novidades em acessórios

Semana passada resolvi conferir a Mostra/Acessórios, que ocorreu em São Paulo entre os dias 4 e 7 de julho. A mostra tem apenas seis anos e foi idealizada pela empresária Stella Reis Ventura, pela consultora de moda Debora Gelman, pela designer Elaine Landulfo e pela joalheira Daniela Cecchini para levar até o lojista produtos que saiam do lugar-comum e que são pouco encontrados.

Confesso que eu desconhecia o evento e fiquei surpresa com a qualidade de tudo que estava exposto. A Mme Olly, por exemplo, existe há 40 anos. A grife conquistou seu lugar fazendo chapéus de festa sob medida, mas já fez parcerias com grandes nomes da moda nacional, como Reinaldo Lourenço. Esta, porém, é a primeira feira da qual participa. Diaulas Novaes, proprietário, criou uma linha mais casual e sofisticada de conjuntinhos de bolsas e chapelões para serem usados em resorts e transatlânticos. A idéia da linha Hats & Co foi trazer um pouco dos anos 50 de volta - época em que as mulheres tinham tempo para se arrumar.

A marca Téa Panô, por outro lado, surgiu há apenas nove meses, por meio do trabalho de artistas plásticos que desenvolvem estampas exclusivas aplicadas nas mais simples modelagens, até o vestido mais ‘basiquinho’ vira desejo de consumo.

Você já deve ter visto alguns modelos de Isabela Carvalho no figurino da personagem de Leandra Leal, em Passione. O foco da marca é a estamparia manual em superfícies têxteis como camurça, couro vegetal e tecidos variados que podem ser aplicados tanto em decoração como em artigos de moda, mas a marca também desenvolve coleções de bolsas exclusivas.

Ah, as bolsas... que riqueza! Não sei nem o que dizer, por exemplo, do trabalho de Fernanda Matsumoto, inspirado pelo universo japonês e origamis para sua marca "Fé by Fê Matsumoto". Uma bolsa pode ser transformada e usada em até seis maneiras diferentes e é feita em materiais como couro legítimo, nylon e tecido de algodão importado do Japão.

Há um ano e meio, as proprietárias da Futricô buscam inspiração em técnicas que as mães e avós usavam, como o fuxico e o tricô (mistura que dá origem ao nome da marca), para criar peças usáveis e atuais, com acabamento artesanal. São peças fofas e despojadas, super fáceis de usar e ideais para programas mais informais.

A arte inspira Tel, proprietária da Poema, que "faz bolsas para mulheres amantes da poesia". Suas coleções não são semestrais, e sim desenvolvidas anualmente, sempre focando em algum tema que fale de arte. A coleção da vez chama-se "O fantástico jardim dos sonhos" e a inspiração vem de tudo que é relacionado à imagem de felicidade.

Para você que acha que artesanal é coisa de feirinha e até meio cafona, vale conhecer também alguns nomes, como o Ateliê Vila Honorata, que resgatou o tear manual. As proprietárias trabalham apenas com juta, que compram ao natural, tingem e tecem para usar em bolsas de modelagem simples, porém bem executadas, que destacam o trabalho de tecelagem. São modelos exclusivos e brasileiríssimos.

Também com uma pegada artesanal, muito se destaca o trabalho de Maria Alice. Usando objetos de arte e design como inspiração, ela mistura materiais como tecidos e pedras naturais e transforma em "statement pieces". Tudo com acabamento de produção industrial, claro.

Alessandra Bizetto descreve o diferencial de suas peças: "criatividade, multi-utilidade e amor!". Suas peças super meigas podem ser usadas de vários jeitos diferentes - um exemplo é a tiara que pode ser usada de até cinco maneiras.

O trabalho de foto corrosão em peças de latão com banhos variados, de Carol Molliani (Molli Bijoux), rende belíssimos itens que complementam, inclusive, o figurino da personagem Beatriz, interpretada por Débora Falabella em "Escrito nas Estrelas".

Outra agradável surpresa entre os sessenta e tantos expositores da feira foi a marca I do Bijoux, de Stella Reis Ventura, uma das idealizadoras do evento. São peças completamente customizáveis, que podem ser montadas de acordo com a roupa, o gosto e o humor da cliente. Funciona assim: você compra uma base para o colar - que nada mais é do que uma placa (pingente) de metal, alguns cristais imantados de cores e tamanhos variados, um cordão de couro ou prata e até um adesivo próprio para a base, que pode ser usado como fundo. Aí você cria desenhos com os imãs, com ou sem o adesivo, e transforma em uma peça completamente casual, usando o cordão de couro, ou em uma peça mais elegante, usando a correntinha.

Mais sofisticadas, as marcas H`Lu e Humberto Camargo trabalham com materiais como pedras brasileiras, cristais e prata, entre outros. Humberto Camargo, aliás, além de produzir belíssimos anéis que misturam pedras e madeira, impressiona pelo uso de materiais como xaxim petrificado.

Os materiais, inclusive, rendem todo um capítulo a parte. Muita gente usa o "bucho" do boi para fazer a tradicional dobradinha, certo? Mas não para Cláudia, designer da C'est Necessaire, que produz bolsas exclusivas com materiais inusitados, como o previamente citado. Com matérias-primas que vão desde a pele do pé de avestruz, até ítens menos incomuns, como palha de seda e fibra de bananeira.

Apesar do foco da feira ser os acessórios, também pude conhecer o trabalho de estilistas que produzem roupas, beachwear e até lingerie.

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Entre eles, estavam as peças de Silvia Aere. Ela diz que a marca foi criada para resolver um problema pessoal. Silvia sentia a necessidade de produtos para mulheres grandes, que passaram dos 35 anos, mas que não fossem caretas. Suas peças, então, escondem imperfeições, e atingiram até um tamanho 48, mas mantêm um ar vanguardista. Ótima notícia para quem vive reclamando de que as roupas legais são feitas em numerações minúsculas!

Jamais concluiria essa coluna sem comentar o trabalho da Brazoo. Apesar dos modelos atemporais e divertidos, o grande destaque vai para o trabalho social por trás da marca. Clarice Borian, antropologa por formação, monta coleções que misturam arte, artesanato e sentimento. As peças são produzidas por pessoas que não teriam como se qualificar para empregos formais, como analfabetos, idosos e pessoas de baixíssima renda. A marca, então, possui um projeto de capacitação, onde não só ensinam uma técnica (como crochê, tricô, pintura, etc), mas também a identificar e valorizar seus talentos.


Eu poderia ficar até amanhã falando sobre tudo de bacana que descobri na mostra, porém são muitas empresas. Então recomendo a visita ao site oficial do evento para conhecer a relação completa de expositores ter acesso aos sites e contatos de cada um. (www.mostraacessorios.com.br).

Érica Minchin trabalha com pesquisa, criação e desenvolvimento de produtos em moda e ministra cursos e palestras sobre imagem e tendências. Ela ensina que aparência é a ferramenta de comunicação não-verbal mais poderosa e estimula explorar as melhores maneiras de fazer uso dela. Contato: contato@ericaminchin.com

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