Moda direto do lixo

Moda direto do lixo

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Colocar a palavra ‘lixo’ no nome de uma marca pode soar um pouco absurdo. Mas é de lá que uma estilista tira a matéria-prima para suas peças, provando que moda e lixo podem estar bem mais próximos do luxo do que imaginamos. Uso de fibras de bambu, algodão orgânico e até mesmo papel reciclado agora fazem parte da festejada moda eco. No caso da marca paulista Maria Lixo, a contribuição parte das sacolinhas de plástico.

Ainda na faculdade de design de tecidos, Juliana Suarez descobriu que a indústria têxtil era uma das que mais causavam desastres ambientais. De acordo com a Environmental Protection Agency, órgão americano que monitora a emissão de poluentes no mundo, a indústria dos tecidos, por exemplo, está em quarto lugar no ranking dos que mais consomem recursos naturais. Por isso que, ainda estudando, Juliana decidiu: queria fazer algo que fosse sustentável e não que fizesse parte da poluição geral.

Para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da graduação a jovem criou um projeto que agregava moda e sustentabilidade, a partir da reciclagem de sacolinhas plásticas. "Para o TCC fui pesquisando materiais que eu pudesse utilizar e que fossem disponíveis em abundância. Pensei no saquinho plástico e descobri que dava para usá-lo", relembra. Depois de 6 meses de erros e consertos, finalmente o saquinho virou tecido e a ideia começou a gerar frutos. "Hoje consigo fazer a bolsa com sete técnicas diferentes".

Juliana ressalta que não são todos os tipos de plásticos que podem ser utilizados, mas a maioria pode ser aproveitada. "Alguns são mais moles que outros e tive que aprender como lidar com cada produto. Geralmente utilizo plástico de loja porque tem apelo visual, é mais colorido. Os aproveito para poder melhorar o design visual do produto final. Mas utilizo todas as cores, inclusive o branco". Vale lembrar que as bolsas e acessórios são criados, desenvolvidos e finalizados a partir das mãos da própria designer, o que faz da Maria Lixo uma moda exclusiva.

Fora as garimpagens feitas pela proprietária da Maria Lixo, as sacolinhas também vêm de doações. "Para as bolsas, recebo de amigos e clientes, mas já fiz vários projetos de sacolas retornáveis para empresas - tive até que comprar do lixão, porque eram muitas embalagens - de brindes e também ministro workshops".

O processo para cada bolsa e acessório da marca é delicado. E, mesmo tendo a possibilidade de montá-las em escala industrial, Juliana opta por continuar com a unicidade. "Tem a questão do consumo. Não quero que a Maria Lixo se torne só uma banalidade, quero que seja especial e a individualidade do produto reforça isso. Você tem uma peça de consumo que toma cuidado e preserva. Os modelos são iguais, o que muda é o design dos tecidos".

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O foco atual da marca é aproveitar os saquinhos, mas Juliana ressalta que o plástico vai muito além deles. "É importante lembrar sobre a questão das embalagens plásticas, pois é o conjunto, o consumo sem consciência que prejudica o planeta".

Com todo o conceito de sustentabilidade em alta, muitas marcas entraram na dança dos produtos eco. Juliana cita Ronaldo Fraga, por seu jeito bem brasileiro de resgatar o sustentável. "Ele tem essa visão de valorizar a cultura brasileira. É um jeito de resgatar a sustentabilidade do Brasil". E lembra também da Osklen, por conta dos tecidos vanguardistas e das cores ecológicas, além da G Fazenda, na Vila Madalena, em São Paulo. "A loja tem essa preocupação com a reutilização do tecido, de ONGs. Tem o trabalho artesanal, bordado e costura. Eles pegam tecidos que sobram e transformam em joias para não desperdiçar".

Mesmo existindo quem se preocupe com o meio ambiente, Juliana ressalta que ainda é muito pouco o que temos com relação à moda. "Existem alguns movimentos que mudam um pouco, mas ainda falta muito para mudar realmente. Muita gente ainda não tem informação do que é ser sustentável. O conceito apenas virou moda e muita gente tira vantagem disso".


No site http://marialixo.webs.com, você pode conferir as coleções criadas pela designer têxtil. Ainda não dá para comprar online, mas você pode achar o endereço de algumas lojas onde os produtos Maria Lixo estão disponíveis.

Por Tissiane Vicentin (MB Press)

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