Manchas em bolsas de couro, o que fazer?

Manchas em bolsas de couro o que fazer

Existe estresse maior do que se deparar com uma bolsa de couro, aquela preferida, com uma mancha enorme? Quem não dispensa esse tipo de acessório no dia a dia sabe muito bem o tamanho do drama.

O pior é que dependendo do tipo de couro e do tamanho, origem e tempo de existência da mancha, nem sempre ela sai. Por conta disso, não adianta se desesperar e aplicar na bolsa o primeiro produto que encontrar pela frente, ato que pode piorar ainda mais a situação.

"Existe uma diversidade muito grande de couros - carneiro, cavalo, boi, bezerro, natimorto, crocodilo - e de acabamentos. Para cada caso existe um tipo de limpeza adequada", explica Baltazar Guedes, representante da diretoria do Conselho de Vestuário do Instituto Brasileiro de Tecnologia do Couro, Calçados e Artefatos (IBTEC) e do grupo setorial do couro da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest).

Certas manchas são superficiais e fáceis de serem removidas, mas há outras que quando entram na fibra do couro e não são retiradas a tempo, podem oxidar e nunca mais sair. Neste caso, se faz necessário até mesmo um retoque na pintura. "Mesmo depois de tratado, o couro preserva o colágeno, que dá a elasticidade necessária ao couro. E dependendo da intensidade, a mancha pode também passar a fazer parte da estrutura do material."

O especialista, que também é responsável pelo desenvolvimento técnico da CRC Couro - Centro de Recuperação e Conservação do Couro, lembra que a gordura da nossa mão é capaz de manchar o couro, dependendo do acabamento. "Em certos couros até uma gota d’água é suficiente para fazer um grande estrago."

Quem adora esse tipo de bolsa precisa ficar atento também ao vestuário. O jeans, por exemplo, pode soltar tinta e manchar o acessório. "Também não deixe a bolsa de couro perto de alimentos gordurosos, no chão do carro ou no balcão de uma loja, caso haja canetas por perto", orienta Baltazar.

Guedes ressalta que outro erro grave cometido pelas mulheres é não fazer uma manutenção correta da bolsa depois de usá-la e guardá-la num plástico no fundo do armário. "O couro perde e ganha umidade por meio do calor e dos períodos chuvosos. E esse processo não acontece em locais fechados". Se não for usar a bolsa por um longo período, a dica é fazer um processo de limpeza e higienização, para que essas marquinhas aparentemente inofensivas não se transformem em fungos e bactérias. Caso contrário, quando a mulher decidir retirar a bolsa do armário para usar, vai encontrar uma mancha eterna.

Baltazar conta que o problema com o mau uso do couro começa no fabricante, que nem sempre informa o tipo de matéria-prima, de acabamento e as formas corretas de manutenção. Ele faz questão de lembrar que, assim como nos vestuários, há duas normas exigindo que os artigos de couro venham com instruções de manutenção.

Uma das normas é a NBR15105, que trata da identificação do couro quanto à origem e aos processos de curtimento, tingimento, engraxe e acabamento. A outra é a NBR 15106, que rege o uso de símbolos de cuidado para limpeza e conservação de vestuário em couro.


As duas normas têm força de lei. "Eu percebo que há um descaso muito grande por parte dos fabricantes e lojistas e quem sofre com isso é o cliente. Portanto, cabe aos consumidores exigirem seus direitos. Eles podem até mesmo recorrer ao Código de Defesa do Consumidor", afirma Baltazar. "Enquanto fabricantes e lojistas não fizerem suas partes, o jeito é sempre o comprador questionar no ato da compra as melhores forma de manter a qualidade do couro".

Por Juliana Falcão (MBPress)

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