Chapéus by Silvia Lucchi

Chapéus by Silvia Lucchi

Foto: divulgação

Chapéus são a cereja do bolo da moda. Enfeitam o look de descolados e clássicos, são sinônimos de originalidade sem igual. Quem usa, quer sempre dizer alguma coisa, marcar uma presença diferenciada. Aqui no Brasil, uma designer faz sucesso quando o assunto é chapéu. Desde os anos 1980 Silvia Lucchi enfeita a cabeça de fashionistas do mundo todo. Já fez tantas peças que, agora, tem uma exposição só para ela, no ‘A Casa’, o Museu do Objeto Brasileiro, em São Paulo. A mostra, aberta em maio, se chama "Na cabeça" e explica até o processo criativo dela - que pode começar com um papel no chão -, conta como tudo começou e explica, passo a passo, com nasce um chapéu.

Silvia começou estudando arquitetura, aqui no Brasil, e estudou figurino e cenografia teatral em Firenze. "Nesta época fiz um trabalho de cenografia para uma fábrica de chapéus e já fui tomada pelo encanto", lembra. Depois, fez o curso de pós-graduação em Design de Moda, na Domus Academy, em Milão e, ainda na Itália, teve oportunidade de trabalhar como acessórios em geral, na empresa Krizia.

Aqui no Brasil, atuou em marcas como Zoomp e Fiorucci - junto com Gloria Kalil, nos anos 80, fazendo sucesso com seus modelos sofisticados e originais. Mas, há 20 anos, foi embora do país e resolveu se dedicar ao próprio negócio, se concentrando apenas aos chapéus, voltando há cinco anos. Hoje ela vive no interior de São Paulo, para cuidar de negócios da família - e deixou a chapelaria de lado. "Eu e meu marido fomos convidados por meu pai a urbanizar uma parte da fazenda da família, em Marília", conta.

A designer soma mais de 600 modelos criados, que divide em famílias, e já vendeu para lojas como a Barney’s, em Nova York, e a Printemps, em Paris - mais de 10 mil peças, calcula ela. Conta com clientes espalhados pela Europa, Estados Unidos e até Japão. Entre seus trabalhos marcantes, está a participação no concurso "Look of the year", organizado por Paulo Borges, quando Silvia criou peças em escala teatral, que roubaram a cena. As peças gigantes, assim como 200 piloto, fazem parte da exposição, que fica aberta até o dia 27 de agosto em São Paulo e tem entrada franca.

Dona de um processo totalmente intuitivo, Silvia acredita que os chapéus acompanham mais a moda agora do que antigamente. Servem, portanto, para adjetivar o look desejado. Hoje, com a necessidade de proteger o rosto do sol, o acessório ganha mais espaço. Mesmo quem não gosta muito de chamar a atenção - premissa de quem enfeita a cabeça - pode usar aqueles com abas menores. Se apaixonar de vez pela cerejinha é uma consequência deliciosa. Descubra mais detalhes da vida e do trabalho de Silvia, nessa conversa exclusiva dela com o Vila Fashion.

Sente falta do mundo dos chapéus hoje?

Não, eu me sinto muito bem se estou envolvida com criação, seja ela dentro do sistema da moda, da educação ou do urbanismo, paisagismo e arquitetura.

Como funcionava teu processo criativo? Li que até um papel no chão podia inspirar você. Como era esse processo?

Acho que o meu processo criativo é muito variado. Às vezes nasce de uma referência pictórica, às vezes de um objeto, de uma textura ou dos erros cometidos num anterior processo de provas. No fundo, como todos, junto a isso meu arquivo interior, a minha história que, automaticamente, faz conexões e escolhas, gerando uma nova imagem mental...

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O que acha da exposição montada aqui em São Paulo? Como decidiu montá-la e qual contribuição pretende dar com ela?

A exposição no ‘A Casa’ foi uma experiência muito prazerosa. Foi como um presente de Marcelo Khans e Renata Mellão, que me propiciaram um encontro com outros profissionais para melhor mostrar as peças e o meu trabalho. Sempre tive a ideia de guardar os meus pilotos para um dia fazer uma mostra. A contribuição é de, com ela, inspirar as pessoas, em especial quem está começando na área de moda.

Você usa? Tem uma coleção particular de modelos?

Sempre usei no inverno ou verão e, agora, principalmente tenho chapéus que ficam em São Paulo, aqueles que moram no carro e outros que estão no escritório e outros muitos guardados para ocasiões. Os pilotos, na verdade, são os meus chapéus.


Quais seus projetos atuais e planos futuros?

Por enquanto, vou continuar com estes projetos em Marília, mas paralelamente, possivelmente farei algumas palestras e workshops ligados ao mundo dos chapéus. No futuro, sonho em trabalhar em um atelier onde se produzam muitas pilotagens e, com isso ficar diariamente ligada ao criar. A ideia é combinar isso com um projeto social.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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