Bolsas & bolsas: aprenda a diferença

Bolsas  bolsas aprenda a diferença

Bel Braga e Bianca Silveira com Clutch Matelasse Roxa by Marc Jacobs.

Ler editoriais de moda às vezes é um martírio, certo? Com tantas palavras diferentes, em outros idiomas, fica complicado entender o que os produtores e jornalistas querem dizer. E para quem não está lá muito sintonizado com o mundo fashionista, o nome das bolsas pode assustar! Ou vai dizer que você sabe, de cabeça, o que significa, clutch, tote, sac, hobo? Para desvendar esses glossário especial, o Vila Fashion pediu a ajuda da expert e apaixonada por bolsas Bel Braga, da BoBags, do Rio de Janeiro. Confira algumas definições que ela passou pra gente:

Capanga: É um termo mais clássico para um tipo de bolsa de mão masculina, geralmente em couro e de formato retangular com alça.

Clutch: Bolsa tipo carteira, complemento ideal para sair à noite. Devido ao formato compacto, leve apenas o essencial para que a bolsa não fique muito cheia.

Minaudiere: É uma espécie de carteira, bem pequena e durinha, tipo bolsa-jóia. Assim como a clutch, é perfeita para festas e eventos sociais noturnos.

Hobo: Bolsa em formato “meia-lua”, com alças ajustáveis e modelos de diferentes tamanhos.

Tote: Pode ser de lona, de couro e de diversos tamanhos. Modelo reto com duas alças presas na parte central da bolsa. Um exemplo clássico seria a famosa ‘shopping bag’.

Envelope: Retangular de vários tamanhos, sem alças, com uma aba-fecho no mesmo formato de um envelope.

Além dessas, muitas outras bolsas acabaram ganhando nomes especiais por causa de suas marcas. É o que aconteceu com a Chanel 2.55, por exemplo. Segundo conta Bel, Gabrielle Chanel estava cansada de carregar e perder as próprias bolsas e encontrou na ‘tiracolo’ uma solução para todos os seus problemas. “A primeira versão foi inspirada nas bolsas dos soldados e das mensageiras que cruzavam Paris de bicicleta. Mas só em fevereiro de 1955 (daí o nome 2.55), a Chanel chegou ao modelo ideal: um retângulo, preso a uma alça de corrente dourada entrelaçada a tiras de couro ou em elos achatados, feitos de pelica para o dia e de seda ou jérsei para a noite”, conta. A peça foi encorpada com o matelassê dos casacos dos jóqueis e das almofadas de camurça do apartamento de Gabrielle. O forro bordô remetia ao uniforme usado por ela no passado, num orfanato em Aubazine, na França.

“A Chanel 2.55 é uma bolsa clássica, bem versátil para várias ocasiões. Possui o tamanho ideal para carregar as peças mais essenciais do dia-a-dia ao mesmo tempo em que apresenta a elegância necessária para um cocktail ou para uma reunião importante. Pode ser o item essencial para completar um visual high-low, com peças mais básicas”, ensina Bel. Segundo ela, a alça de corrente dourada pode dar um toque ‘habillé’, chique, se usada em conjunto com um vestido preto. “Cuidado apenas ao escolher os demais acessórios, principalmente o colar, para que não entre em conflito com a alça dourada. O melhor é optar por acessórios discretos”.

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Um outro clássico que virou ícone é de propriedade da marca Hermès. Bel conta que, durante uma viagem de avião, em 1981, a atriz e cantora Jane Birkin deixou sua agenda cair da bolsa, espalhando algumas fotos pelo chão. O homem que viajava ao seu lado disse que ela deveria ter uma agenda com bolsos. “Jane respondeu que a Hermès não fabricava esse tipo de produto. Foi aí que o homem se identificou como proprietário da marca e a cantora aproveitou para pedir para que ele fabricasse uma maior que a Hermès Grace Kelly e com uma abertura mais prática. Um tempo depois do encontro, a loja procurou Jane para apresentar o modelo da peça e pedir autorização para usar o nome ‘Birkin Bag’”.

Hoje, para adquirir um modelo desses, você poderá enfrentar uma lista de espera de até dois anos. A ex-Spice Victoria Beckham recentemente confessou possuir mais de 100 exemplares em seu closet. “O modelo Hermès Matte Crocodile Birkin Bag, feita em couro de crocodilo e com 10 quilates de diamantes, pode chegar a R$ 250 mil”, calcula Bel.

A Maison Dior também tem uma bolsa que foi batizada para homenagear uma celebridade. O modelo “Lady Dior” era chamado de “Chouchou” até que a primeira dama de Paris, Bernadette Chirac, precisava de um presente especial para a princesa Diana, em 1995. “O então estilista da marca sugeriu o tal modelo e, após o encontro, o rebatizou de Lady Dior. Um ano depois da aparição de Lady Di com seu exemplar, mais de cem mil modelos haviam sido vendidos pelo mundo”, conta Bel. Esse é um modelo tipo “tote”, clássico, geralmente encontrado nas cores preto, bege, branco e tons pasteis. “É uma bolsa elegante para o dia-a-dia e, usada em conjunto com um tailleur, forma um look perfeito”.

As bolsas-ícone têm ainda mais um modelo que ganhou o mundo. O modelo Jackie, lançada em 1961 pela Gucci, tinha como principal admiradora a ex-primeira dama americana Jacqueline Kennedy Onassis. “O modelo, previamente chamado de Constance, passou a se chamar Jackie depois que a célebre admiradora declarou sua preferência e passou a ser fotografada frequentemente com seus vários exemplares”.

Hoje, outras marcas se inspiram nesses ícones e criam suas próprias releituras. Agora, quando sair por aí desfilando um modelo novo, ver na vitrine aquela bolsa dos sonhos ou procurar na BoBags um para alugar, você já sabe que a criação pode esconder mais mistérios do que o seu desejo de ter uma delas!


A BoBags foi criada há apenas três meses para ser uma extensão do closet das mulheres, mas já é sonhada há dois anos. Nesse tempo, Bel montou uma rede enorme de fornecedores ao redor do globo, em cidades como Nova York, Paris e Londres, fez pesquisa, montou estratégias de compra e logística e abriu a empresa, com a sócia Bianca Silveira. Hoje, alugam aquela bolsa dos sonhos! Que tal ter sempre uma nova no armário?

Por Sabrina Passos (MBPress)

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