Vídeo de protesto contra bullying feito por estudante causa comoção

Vídeo de protesto contra bullying feito por estuda

Entrevista de Aly para a CNN. Foto Reprodução/Site day life

Muda. Foi assim que a estudante da oitava série Alye Pollack, de 13 anos, protestou contra a violência nas escolas e mobilizou pessoas em todo o mundo. Usando apenas cartazes, a jovem postou um vídeo no YouTube e tornou-se celebridade, também o ombro de muitas pessoas que sofrem do mesmo problema. As vítimas têm postado vídeos com mensagens e músicas de apoio.

No vídeo, assistido por mais de 400 mil pessoas e intitulado de "As palavras são piores do que paus e pedras", Alye, que estuda na Bedford Middle School, de Westport, estado de Connecticut, na costa leste dos Estados Unidos, se apresenta e se diz infeliz e com poucos amigos.

"Sou uma vítima de bullying. Não há um dia que se passa sem uma dessas palavras: "piranha, vagabunda, gorda, lésbica, vadia, maluca, feia, esquisita", conta. "Eu não vou me cortar, mas estou perto. Passo mais tempo na terapia do que nas minhas aulas. Gosto da minha escola, só não gosto dos alunos. Será que no ensino médio as coisas vão piorar? Socorro". Alye finaliza o vídeo mandando recado para os praticantes de bullying: "Pense um pouco antes de dizer as coisas. Isto pode salvar vidas. Não seja um assassino. Paus e pedras? São as palavras que machucam".

Em entrevista à rede de TV CNN na noite de segunda-feira (4), Alye disse que o bullying é praticado por causa de ciúmes ou insegurança. "Eles não deviam fazem isso contra ninguém, deviam conversar com seus pais ou um psicólogo", disse. E apelou: "O bullying precisa terminar totalmente, não pode ser tolerado por ninguém. Não importa o que alguém tenha feito para você, você jamais pode praticar o bullying contra essa pessoa."

E não é de hoje que este problema é assunto. Recentemente, o garoto Casey Heynes ganhou admiradores após arremessar um colega no chão, visando dar um basta às provocações que recebia de um colega.

No Brasil, infelizmente, o bullying também é o assunto do momento. Em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, Ana Claudia Karen Lauer, estudante de enfermagem, afirmou ter sido espancada por três alunas na sexta-feira (01), em frente ao Centro Universitário Barão de Mauá. A agressão ocorreu após a estudante ter denunciado à coordenação que era perseguida por outros alunos.

Nesta quinta-feira (07), o programa "Mais Você", de Ana Maria Braga, contou o caso de uma menina de 13 anos que foi fortemente agredida em um colégio no Rio de Janeiro. A mãe da estudante fez um boletim de ocorrência, uma vez que a escola não prestou assistência. E no final de maio, na cidade de Mata Grande, no sertão alagoano, aconteceu o primeiro caso de bullying homofóbico em uma escola estadual. Um garoto de 15 anos, após assumir sua homossexualidade, levou nove tapas no rosto de outro aluno. O autor da agressão foi suspenso por oito dias.


O Brasil ainda não tem uma lei federal sobre o combate ao bullying. O que existe é um projeto de lei que aguarda votação na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado. Cansados de esperar, alguns estados já fizeram suas próprias regras. No Rio Grande do Sul, por exemplo, uma lei foi sancionada no ano passado, mas não prevê punições aos estudantes, apenas ações educacionais. Em Santa Catarina, uma lei prevê atividades didáticas, informativas, de orientação e prevenção.

Na cidade de São Paulo uma lei de 2009 determina que as escolas públicas da educação básica do município incluam em seu projeto pedagógico medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying escolar. No Rio de Janeiro, uma lei de 2010 prevê punição das escolas que não denunciarem funcionários e alunos que praticarem o bullying e em Belo Horizonte, a Câmara Municipal aprovou dois projetos de lei que têm como objetivo impedir trotes violentos e bullying.

Por Juliana Falcão (MBPress)

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