Vida de sósia

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Vida de artista é para poucos. Afinal, nem todo mundo emplaca nas paradas de sucesso ou em horário nobre. E enquanto a estrela de uns brilham sem parar, de outros não tem chance nem de piscar. Mas, no meio disso, há aqueles que, por afinidade, gosto e até uma ajudinha da aparência, conseguem pegar carona na cauda de alguns astros - e encontrar a fama vivendo na pele de outra pessoa. Muitos sósias acabam usando da semelhança com alguém famoso para ganhar a vida. E, por que não, experimentar um pouquinho o mundo deles.

Quando a reportagem do Vila Glitter estava atrás desses sósias de sucesso, acabou recebendo uma ligação inusitada. “Oi, aqui é o Roberto Carlos”, disse a voz, quase confundindo quem estava do outro lado da linha. O homem era, na verdade, Carlos Evanney, sósia do ‘Rei do Rock’ há mais de 15 anos. “Mas eu não o imito. Tudo que faço é natural. Deus me deu esse presente maravilhoso, de poder representar o Rei, me fez com sua aparência, com seu feito, com sua altura, com sua voz”, se orgulha.

Hoje, Carlos praticamente sobrevive das atividades como Roberto. Mas jura que não faz muita coisa para ficar parecido com ele. “Eu apenas gosto de tudo que ele gosta, então uso o cabelo igual, me visto como ele. Mas em mim, tudo é natural”, garante.

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E essa naturalidade acaba fazendo com que ele mesmo se confunda, na hora de dizer quem é. Talvez por isso, se apresente para as pessoas como Roberto Carlos - e não como Carlos Evanney. “Vivo o Rei 24 horas por dia e não saberia dizer quem sou eu, quem é Carlos Evanney. Mas eu gosto disso, por que sou assim, sempre tive esse comportamento, então a minha identidade é a mesma de Roberto Carlos”, afirma. Até nas ruas, parece que a lógica se repete. Ele diz que as pessoas o chamam pelo nome do cantor e o confundem nas ruas o tempo todo. “Elas me tratam e tem um carinho muito grande, como se eu fosse ele. Me pedem autógrafos e para eu cantar alguma música dele”.

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A paixão por Roberto Carlos é tão grande que o sósia não tem medo de assumir que sim, a maior emoção da vida foi ficar cara a cara com o ídolo. “Eu não sabia o que fazia, o que dizia, eu só tremia e chorava”, lembra.

Outro que ganhou fama na cola de um pop star dos grandes foi Rodrigo Teaser. Mas o Rei dele não é o nosso, brasileiro. O jovem é o sósia “oficial” de Michael Jackson. Tudo começou quando a mãe o inscreveu num concurso de imitadores, aos 9 anos. Ainda menino, ele já era fã de Michael e, como ganhou o concurso, não parou mais de imitar o ídolo. “Cresci, e a brincadeira de ‘imitar’ o Michael cresceu também. Aos poucos fui me profissionalizando, aumentando e agregando outras pessoas à produção. Quando me dei conta, estava atendendo empresas multinacionais, festas, shows, sempre tentando atender a demanda do pessoal”, conta.

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Para ficar parecido com o astro, Rodrigo usa muita maquiagem. “Quando estou sem ela ninguém diz que sou cover do Michael”, se diverte. Diferente de Carlos Evanney, ele afirma que não perdeu a identidade por causa do trabalho. “Sempre tive muita consciência de quem sou eu e de quem é ele. Sei que quem tem os fãs é ele, o criador é ele, sou apenas um cover, uma pessoa que o ama, ama a sua arte e procura reproduzí-la da melhor forma possível”.

Nas ruas, as reações são diversas. Mas, desde que Michael Jackson morreu, no final de julho, as pessoas se dirigem a Rodrigo de uma forma mais emocionada. E a morte do Rei do Pop acabou dando um empurrão na carreira dele. “A procura está muito maior, e agora eu preciso saber filtrar o que é legal, o que é positivo, porque muitos querem se aproveitar do momento. Basicamente, o que mudou é o fato de agora termos muitos shows, muitos locais que antes tinham restrições com a gente agora aceitam o show numa boa”, conta.

Rodrigo é um dos sortudos que pode ver o astro ainda em vida, aqui no Brasil, nas apresentações de 1993. Ele foi aos dois shows no Morumbi, em São Paulo. “Considero essa a experiência que me fez querer ser um artista, ser uma pessoa que viveria no palco”, diz. E o palco é mesmo o grande sonho de Rodrigo. “Paralelo ao meu trabalho como cover, tenho minhas próprias canções, e há dois anos venho trabalhando nelas. Algumas gravações já estão no YouTube e uso isso para sentir o público, saber o que acha da minha proposta. Espero ter minha própria carreira e me apresentar sendo eu mesmo”, planeja.

Mas o menino que se encantou pelos movimentos e pela vida de Michael Jackson ainda criança, diz que jamais vai abandonar o ídolo, que tanto o influenciou. Rodrigo foi convidado para homenagear Michael em Nova York, num encontro organizado pelo maior fã clube do cantor do mundo - onde o próprio Michael estaria presente. Ele foi selecionado para representar a América Latina, mas não pode ir, porque não conseguiu o visto.


Por Sabrina Passos (MBPress)

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