Sônia Abrão - "Se a mídia não gosta, o povo curte muito"

Sônia Abrão  Se a mídia não gosta o povo curte mui

Foto/Divulgação

Conhecida na televisão brasileira por declarar abertamente a sua opinião a respeito das celebridades e algumas tragédias nacionais, a apresentadora e jornalista do programa "A Tarde é Sua", na Rede TV!, já passou por várias polêmicas, entre elas, a que envolve o pai do humorista Carlinhos.

Geraldo, apresentador do programa Geraldo Brasil, da Record, acusou a apresentadora e sua equipe de seqüestrar Antonio Alves, pai de Carlinhos, para conseguir entrevistá-lo primeiro. Na época, Sônia rebateu dizendo à imprensa que as informações eram falsas. "Se fosse verdade, era caso de polícia. Parece até que furar uma emissora veterana é crime", declarou ao jornal O Dia.

Em entrevista ao Vila Glitter, Sonia diz que no início da carreira o seu objetivo não era trabalhar em rádio ou televisão. "Acredito que pelo fato de escrever colunas em jornal sobre os agitos e novidades dos outros dois veículos, e pelo espaço que o assunto ganhou nos últimos anos, comecei a receber convites. Migrei para o rádio e logo depois também para a televisão, até chegar à TV Record. Mesmo assim, nunca deixei de escrever".

Há quem critique o programa "A Tarde é Sua" por querer aprofundar demais alguns temas, como você e sua equipe dosam isso?

As críticas fazem parte. É o preço que se paga por estar no ar. Não dá para atender a todas as reivindicações. Assim, vamos fazendo aquilo que, de acordo nossa experiência, achamos certo. Concordem ou não. Acho que temos mais acertos que erros, pois vamos completar dez anos no ar ininterruptamente. Se a mídia não gosta, o povo curte muito.

A audiência do programa é prioridade para você?

Audiência é importante, é como nota em boletim da escola. Às vezes pontuamos bem, às vezes mal, mas somos aprovados pelo público. Só que para um programa continuar no ar é preciso mais que Ibope: credibilidade, empatia com o público e retorno comercial. Graças a Deus temos tudo isso!

Como faz a apuração das notícias?

Esse trabalho, atualmente, é feito pela equipe do nosso programa. E não é e nunca será uma tarefa fácil. Na minha época de colunista passei anos cultivando boas fontes para obter informações, em primeira mão. E mantenho muitas delas até hoje. Como na TV o meu trabalho é mais de comentar o que os jornais e revistas publicam, acho que vale registrar os boatos, deixar claro o que é especulação e confirmar o que for possível. O público sabe discernir as coisas.

Depois do que aconteceu com o seu perfil falso no Twitter, você usa os meios virtuais (blogs e twitters) das celebridades para apurar notícias?

Não. Depois do meu perfil falso no Twitter, preferi deixar o microblog. Tenho meu próprio blog, em meu site oficial, mas é para dar minha opinião sobre os acontecimentos por aí. Uma forma de matar minha vontade de escrever, porque continuo me sentindo bicho de redação devido a tantos anos de trabalho em jornal. Agora, posso dizer com segurança que os meios virtuais não são os melhores para se apurar notícias. Nada substitui as boas e velhas fontes, amigos e informantes que um jornalista deve ter nas mais variadas áreas e em todos os escalões. Claro que há fonte que também falha, mas é exceção e não regra como nos tempos de internet.

Qual a maior saia justa que já enfrentou no rádio ou na TV?

Quando Sérgio Mallandro, sem querer, quebrou meu dedo no palco com uma paulada. Foi uma dor horrível, o programa era ao vivo, e tive que segurar até a entrada do comercial, quando o bombeiro de plantão no estúdio me deu um analgésico e botou uma tala no dedo para aliviar. Foi na época do "Falando Francamente", que fazia no SBT. Saí de lá direto para o hospital.

Na sua opinião, as novelas brasileiras tiveram alguma mudança significativa com o passar dos anos?

As novelas mudam muito para continuarem as mesmas. Mudam a linguagem, os efeitos visuais, as trilhas sonoras, acompanham as mudanças dos costumes, a nova mentalidade que gera novos comportamentos, a moda, etc. Mas mantém a essência de folhetim: uma grande história de amor (quase impossível), o bem contra o mal, ricos e pobres, os bons contra os corruptos, a luta pela justiça, enfim, tudo cruzado de um jeito que leve ao final feliz.

Qual é a sua opinão sobre as produções atuais, principalmente "Viver a Vida", de Manoel Carlos?

Pena que Paraíso acabou, porque adoro tudo que é do Benedito Ruy Barbosa. Gosto também de Caras & Bocas, pois o Walcyr Carrasco é muito versátil e tem humor. Além disso, amei Caminho das Índias, torci por Maya e Raj até o final. Curto muito a salada cultural e de sentimentos da Glória Perez. Quanto a Viver a Vida, de Manoel Carlos, já teve grandes momentos, com um texto muito inspirado, mas ainda não decolou. Acredito que chegue lá, pois ele sempre começa devagar e depois vira o coração da gente do avesso. Só não gosto mesmo é da abertura, de uma pobreza e falta de inspiração de dar dó. Maneco merecia coisa melhor!


Antes de trabalhar com a temática ‘famosos’, em quais áreas você passou?

Na verdade, eu comecei fazendo um pouco de tudo, reclamação de bairro, plantão policial, noticiário internacional, reportagem geral até chegar à editora do caderno de Variedades e colunista de TV. Falar de gente famosa aconteceu, na verdade, por acaso. Quem fazia esse trabalho saiu e fui chamada para a vaga. Acabou dando certo.

Por Juliana Lopes

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