Maria Cândida fala sobre seu novo programa

Maria Cândida fala sobre seu novo programa

Divulgação

O programa se chama "12 Mulheres", mas representa muito mais do que isso. Em 12 países, a apresentadora Maria Cândida se propôs a desvendar um pouquinho da vida e dos mistérios de centenas de mulheres, das mais diversas formações, idades, culturas e personalidades. A série, feita ao redor do mundo, já começou a ser gravada e deve estrear em outubro, na Rede Record.

As locações do programa são igualmente variadas, indo da fazenda ao escritório, de galerias de arte à fabricas, de lounges à mercearias de bairro. Cada uma das 144 entrevistadas - 12 por país - contará um pouco das paixões, manias, modelos, inspirações e ambições, formando um mosaico que constitui a essência da mulher. A direção é de José Amâncio e Arapinha.

Devidamente selecionadas em países como África do Sul, Vietnã, Tailândia, Holanda, Brasil e outros sete, as entrevistadas ajudaram Maria Cândida a entender um pouquinho melhor a lógica feminina - e a transformar a arte de conhecer pessoas em mais uma modalidade do bom jornalismo. Em entrevista especial para o Vila Glitter, Maria explica como foi a seleção dessas personagens e conta mais dessa experiência única ao redor do mundo. "Estou aprendendo a cada entrevista. Ouço as histórias e analiso, comparo com tudo que já vi, ouvi, é quase um trabalho antropológico. É algo mágico. Posso dizer que sou outra mulher depois desse programa", afirma.

Quem são (em linhas gerais) as entrevistadas?

São mulheres comuns, anônimas, mas importantes nas suas comunidades. Pode ser uma dona de casa exemplar, uma médica que cuida de órfãos aidéticos ou uma mulher bem atual, uma rapper, por exemplo, que expressa através das letras de sua música, o que ficou escondido no inconsciente feminino daquele país por décadas.

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E como elas foram selecionadas?

Elas são escolhidas primeiro por um estudo do país. Nós buscamos as características do local e escolhemos tipos de mulheres que possam nos contar boas histórias. No Vietnã, por exemplo, uma ex-vietcongue com certeza terá uma boa história. Nós não precisamos ir para o país para sabermos disso, certo? A partir dessa linha de raciocínio, nós colocamos a nossa produção aqui para procurar esses tipos de mulher. Na maioria dos casos, nós achamos 50% delas. Para a outra metade, contratamos um produtor local. É impossível fazer tudo daqui.

Qual o objetivo do programa? O que o público pode esperar?

O objetivo é levar todo o tipo de público a fazer uma viagem comigo pelo mundo, ou melhor, por 12 países bem diferentes, e através das entrevistas dessas mulheres, conhecer com mais profundidade aquele povo. Tudo começa na mulher... e em todo lugar. A partir dessas histórias, o público conhecerá, através do olhar feminino, mais sobre a família, a cultura, a gastronomia, enfim, é um programa de muito conteúdo, que eu espero surpreender os telespectadores.

Qual o grande desafio de fazer um programa como esse?

É ter que viajar tanto e ter tão pouco tempo nos países e na pós-produção do programa. Por mim, eu ficaria meses em cada lugar.

Você já entrevistou muita gente famosa. Como se sente nesse trabalho com as "anônimas"?

Amo entrevistar. Se a pessoa é anônima ou é famosa, não importa. O que está valendo é se tem uma boa história. Não adianta nada você estar à frente do Keanu Reeves e ele só falar de coisas superficiais. Neste trabalho, eu descubro um mundo novo a cada entrevista, eu me apaixono por cada uma delas em cada entrevista.

O que você percebeu como maior diferença entre as mulheres entrevistadas?

Em muitos países onde a mulher foi sempre reprimida, por várias gerações, percebi que há uma grande diferença entre as mais velhas (faixa de 60 e 70) e as mais novas. As que estão na faixa dos 20 anos, não aceitam mais ficar em casa cuidando apenas dos maridos. O desejo pelo trabalho, pela defesa dos próprios direitos, pela dignidade como mulher é algo global, pelo menos nas cidades. Para nós, brasileiras, isso é comum, mas em certos países mundo afora, ainda é muito difícil uma mulher ter a sua liberdade.


O orgulho de ser mulher.

Por Sabrina Passos (MBPress)

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